Brasil Conquista Sexto Maior Crescimento Econômico Entre Países do G20 em 2025, Aponta Ministério da Fazenda
Expansão de 2,3% do PIB nacional em 2025 posiciona o país à frente de grandes economias como EUA e Alemanha, apesar da desaceleração imposta por juros altos.
A economia brasileira registrou um crescimento de 2,3% em 2025, garantindo a sexta posição no ranking de expansão entre as maiores economias do G20. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que revelou um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 12,7 trilhões no ano passado.
O PIB, que mede o conjunto de bens e serviços produzidos no país, é um indicador crucial do comportamento econômico. Em 2025, a agropecuária se destacou como o principal motor do crescimento nacional. Logo após a publicação dos números pelo IBGE, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda compilou um ranking com o desempenho das 16 economias do G20 que já consolidaram seus dados anuais.
A lista é liderada pela Índia, com um salto de 7,5%, seguida por Indonésia (5,1%) e China (5%). O Brasil se posiciona logo à frente dos Estados Unidos, a maior potência econômica global, que cresceu 2,2%. Outras nações como Alemanha (0,4%), México (0,6%) e Itália (0,7%) figuram nas últimas posições do ranking.
Desaceleração e Juros Altos
Apesar do resultado positivo, o crescimento de 2025 marca o quinto ano consecutivo de expansão, mas com uma clara desaceleração em relação a 2024, quando o PIB havia avançado 3,4%. Técnicos do Ministério da Fazenda atribuem essa perda de ritmo diretamente à política de juros elevados.
“Esse movimento indica que a política monetária contracionista exerceu impacto relevante sobre a atividade, contribuindo para o fechamento do hiato do produto”, explica o estudo da SPE. No jargão econômico, o fechamento do hiato do produto sugere que os juros altos desestimularam o consumo e investimentos a ponto de reduzir as pressões inflacionárias.
A taxa Selic, patamar básico de juros no país, atingiu 15% ao ano em junho de 2025 e se manteve nesse nível, o mais alto desde julho de 2006. Essa medida do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) teve como objetivo principal conter a inflação, que permaneceu acima da meta governamental de 3% durante boa parte do ano.
Perspectivas para 2026
Para 2026, a SPE projeta um novo crescimento de 2,3% para o PIB brasileiro. O Copom já sinalizou a intenção de cortar a Selic em sua próxima reunião, agendada para os dias 17 e 18 de março. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliou nesta terça-feira que o conflito no Oriente Médio não deve alterar a decisão sobre a redução dos juros.
A expectativa da SPE é de uma desaceleração acentuada da agropecuária, mas compensada por um maior ritmo de crescimento na indústria e nos serviços. A provável queda dos juros, aliada à isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais (em vigor desde o início do ano), deve impulsionar a indústria e a construção civil.
Para o setor de serviços, o boletim da SPE prevê um crescimento robusto, beneficiado pela reforma da tributação sobre a renda, pela expansão do crédito consignado para trabalhadores privados e pela resiliência do mercado de trabalho, que, apesar do cenário restritivo, encerrou 2025 com a menor taxa de desemprego já registrada pelo IBGE.
Reflexos para o Norte de Minas
O desempenho da economia nacional e as projeções para 2026 reverberam diretamente na realidade do Norte de Minas. A forte contribuição da agropecuária para o PIB de 2025 é uma notícia positiva para a região, que possui uma base agrícola significativa, com produtores rurais que podem se beneficiar da valorização do setor. Por outro lado, a política de juros altos impactou diretamente os empresários locais e o acesso ao crédito para investimentos em Montes Claros e cidades vizinhas, freando projetos e expansão.
A expectativa de redução da Selic e o consequente estímulo à indústria e aos serviços em 2026 são cruciais para a geração de empregos e o desenvolvimento econômico regional. A região, que busca diversificar sua economia, pode ver novas oportunidades com a expansão do crédito e as políticas de incentivo fiscal, impulsionando desde o comércio local até pequenas e médias indústrias que operam na área.