Brasil projeta safra recorde de 353,4 milhões de toneladas de grãos, com soja liderando crescimento
Levantamento da Conab indica expansão na produção de soja, apesar de leve recuo no milho e redução para arroz e feijão.
A produção nacional de grãos está estimada em um volume histórico de 353,4 milhões de toneladas para o ciclo atual, conforme projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esse número robusto é impulsionado principalmente pela safra de soja, que apresenta perspectivas de recorde.
Os dados divulgados pela estatal revelam um cenário diversificado para as principais culturas do país. Enquanto a oleaginosa celebra um período de crescimento, o milho e outras commodities agrícolas enfrentam ajustes em suas estimativas.
Soja impulsiona recorde nacional
A soja é a grande protagonista do levantamento, com uma projeção de safra recorde de 178 milhões de toneladas. Este volume representa um aumento significativo de 6,5 milhões de toneladas em comparação com o ciclo anterior, resultado direto das condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras.
A colheita da oleaginosa já foi iniciada na maioria dos estados, alcançando 17,4% da área total. Segundo a Conab, este percentual é superior ao registrado no mesmo período do ano passado. No Mato Grosso, maior produtor do país, 46,8% da soja já foi colhida, com produtividade próxima às estimativas iniciais.
Cenário do milho e outras culturas
Por outro lado, as projeções para a produção total de milho indicam um recuo de 1,9% em relação ao ciclo anterior, totalizando 138,4 milhões de toneladas. Apesar da redução na estimativa geral, o cultivo da primeira safra do cereal mostra crescimento de 7,2% na área, atingindo 4 milhões de hectares, e uma produção de 26,7 milhões de toneladas, 7,1% a mais que a safra anterior.
A segunda safra de milho, cujo plantio já começou, abrange uma área de 17,9 milhões de hectares, com uma produção projetada de 109,3 milhões de toneladas. Para o arroz, a expectativa é de uma redução de 11,6% na área de cultivo, ficando em 1,6 milhão de hectares. O Rio Grande do Sul, principal produtor, registra recuperação dos mananciais, e a produção estimada é de 10,9 milhões de toneladas.
A produção de feijão, somando as três safras, deve alcançar 3 milhões de toneladas. A primeira safra, contudo, prevê uma redução de 11,4% na área plantada e uma produção 9% menor que a safra anterior. Já o algodão tem uma projeção de 3,8 milhões de toneladas, em uma área 3,2% menor que a de 2024/25, com 88,1% das áreas já semeadas.
Perspectivas para o agronegócio
Para a temporada 2025/26 do milho, a Conab antecipa um novo incremento tanto nas exportações, estimadas em 46,5 milhões de toneladas, quanto no consumo interno, que pode chegar a 94,5 milhões de toneladas. Mesmo com esse aumento, os estoques de passagem do grão, em janeiro de 2027, devem se manter em torno de 12 milhões de toneladas, garantindo a segurança alimentar e a oferta no mercado.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora a produção de grãos no Norte de Minas não atinja os volumes de estados como Mato Grosso ou Rio Grande do Sul, o cenário nacional de uma safra recorde tem impactos diretos na região. A maior oferta de commodities como soja e milho no mercado brasileiro tende a estabilizar ou até reduzir os preços dos alimentos e insumos para a agropecuária local. Isso pode beneficiar os consumidores de Montes Claros e cidades vizinhas, que sentirão menos pressão nos custos de itens básicos da cesta de alimentos.
Para os produtores rurais do Norte de Minas, a situação exige um planejamento estratégico apurado. A competitividade no mercado nacional, impulsionada por grandes volumes, reforça a importância da diversificação de culturas, da adoção de tecnologias e da busca por mercados diferenciados ou nichos específicos, como a produção de grãos forrageiros ou culturas adaptadas ao clima semiárido, para garantir a rentabilidade e sustentabilidade de suas atividades na região.