O número de famílias brasileiras com algum tipo de dívida — incluindo cartão de crédito, cheque especial, carnês e financiamentos — atingiu o pico de 80,2% em fevereiro. Este é o maior percentual registrado desde o início da série histórica da pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O levantamento indica que apenas 19,7% dos consumidores afirmaram não possuir dívidas, o menor índice já apurado. É importante notar que a pesquisa reflete a percepção individual dos entrevistados sobre o peso de suas obrigações financeiras, e não necessariamente um quadro de superendividamento.
Inadimplência volta a crescer após queda
Após três meses consecutivos de recuo, a inadimplência entre as famílias brasileiras voltou a subir em fevereiro, alcançando 29,6% dos lares. Este patamar é o mais elevado desde novembro do ano passado, quando o índice foi de 30,0%. Paralelamente, o percentual de famílias que declararam não ter condições de quitar suas dívidas em atraso diminuiu levemente para 12,6%, mas ainda se mantém acima dos níveis de 2025.
Dívidas de longo prazo e comprometimento da renda
O tempo médio de atraso nas dívidas também registrou um aumento, chegando a 65,1 meses, próximo do recorde de 65,2 meses visto em dezembro de 2024. Quase metade dos inadimplentes (49,5%) está com pagamentos atrasados há mais de 90 dias, sinalizando persistência nas dificuldades financeiras.
Em relação ao comprometimento da renda, 19,5% dos consumidores destinam mais da metade de seus ganhos ao pagamento de dívidas. A maioria (56,1%) compromete entre 11% e 50% da renda. O comprometimento médio da renda com dívidas ficou em 29,7% em fevereiro.
Outro dado relevante é o crescimento pelo sexto mês consecutivo do percentual de famílias com dívidas de longo prazo, aquelas com duração superior a um ano. Este indicador chegou a 32,9%, o maior desde abril de 2025, o que pode indicar um alívio temporário na pressão imediata sobre os orçamentos familiares.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora a pesquisa da CNC abranja o cenário nacional, as tendências de endividamento e inadimplência podem ter repercussões diretas no Norte de Minas. O aumento do comprometimento da renda com dívidas pode levar a uma redução no consumo local, afetando o comércio e os serviços na região. A CNC sugere que as famílias busquem renegociar suas dívidas e planejar melhor seus orçamentos para enfrentar este cenário desafiador.