Buscas por vítimas das chuvas em Juiz de Fora são encerradas com 72 mortos; um desaparecimento persiste em Ubá

PUBLICIDADE

A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou o encerramento das buscas por vítimas das fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. O corpo do último desaparecido na cidade, o menino Pietro, de 9 anos, foi localizado na noite de sábado (28). Com essa confirmação, o número de mortos em decorrência dos temporais chegou a 72 na manhã deste domingo (1º), segundo a corporação. Ao todo, 72 corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), sendo 65 de Juiz de Fora e Ubá. Uma pessoa continua desaparecida em Ubá, onde as buscas serão intensificadas.

Na sexta-feira (27), a Agência Brasil esteve no bairro Paineiras, em Juiz de Fora, uma das áreas mais afetadas por deslizamentos e desmoronamentos. Moradores permaneciam fora de suas residências devido ao risco iminente de novos desabamentos, especialmente pela instabilidade na encosta do Morro do Cristo, conforme orientação da Defesa Civil.

Risco iminente no bairro Paineiras

Guilherme Belini Golver, engenheiro civil desempregado, reside em um casarão na rua atingida e precisou deixar o imóvel com sua família. Ele relatou a força da água durante o temporal na noite de segunda-feira (24), descrevendo a situação como um rio marrom invadindo a rua. Ao retornar para buscar a filha na faculdade, cerca de 20 minutos após sair, foi informado por um vizinho que a terra já invadia a casa, o portão e a garagem.

A Defesa Civil recomendou a evacuação preventiva devido à incerteza sobre a gravidade da situação na encosta do Morro do Cristo. Guilherme tem retornado ao imóvel apenas para tentar limpar a lama e vigiar a casa, que ficou vulnerável após o impacto da terra e a perda da tranca.

O engenheiro relembrou que há cerca de 40 anos ocorreram pequenos deslizamentos de pedras na mesma encosta, que levaram à instalação de contenções. Contudo, ele expressou o receio de que novos episódios possam ocorrer.

Vítimas e resgates em prédios residenciais

Na mesma rua, um policial penal que morava no local há quatro meses morreu durante o deslizamento. Próximo ao casarão de Guilherme, três prédios residenciais alugados por uma mesma família foram atingidos. Paulo Barbosa Siqueira, motoboy de 25 anos, que mora em um dos apartamentos, estava fora no momento do desabamento.

Ele descreveu que moradores precisaram improvisar rotas de fuga entre apartamentos para escapar, com a ajuda de um policial militar. Paulo lamentou a perda de um vizinho e colega de prédio, que trabalhava como policial penal.

Desde então, os moradores aguardam autorização para retornar aos imóveis e retirar documentos e pertences essenciais, mas o acesso permanece interditado por risco estrutural. Paulo relatou a dificuldade de acesso a itens básicos, como roupas e comida, e a dependência da ajuda de terceiros. Ele também denunciou casos de saques nos imóveis interditados durante a madrugada.

A equipe de resgate atuou intensamente na rua seguinte, onde houve registros de vítimas e desaparecimentos, incluindo o caso do menino Pietro. Os deslizamentos no bairro Paineiras afetaram duas áreas distintas, causando danos estruturais e perdas de vidas.

Mais recentes

PUBLICIDADE

Rolar para cima