A Câmara dos Deputados, em Brasília, realizou uma sessão solene nesta terça-feira, 24 de março de 2026, para celebrar os 75 anos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A cerimônia, no entanto, foi marcada por um forte apelo de parlamentares e cientistas por mais recursos para a pesquisa científica no país.
Defesa da Ciência e Soberania
A solenidade, proposta pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), ressaltou a importância estratégica do financiamento contínuo para a ciência e tecnologia. Rollemberg enfatizou que a ausência de investimento na formação de recursos humanos inviabilizaria grandes conquistas nacionais.
“Sem a formação de recursos humanos, nós não teríamos a Petrobras, nós não teríamos a Embraer, nós não teríamos a Embrapa, nós não teríamos produzido vacinas que salvaram milhões de vidas ao longo da história”, observou o parlamentar, destacando o papel essencial da pesquisa para o desenvolvimento do Brasil.
O presidente do CNPq, Olival Freire Júnior, contextualizou a criação da instituição no pós-Segunda Guerra Mundial, período em que nações valorizaram inovações nas áreas de defesa e saúde, sublinhando a perenidade da missão do conselho.
Impacto dos Cortes e Alerta para o Futuro
Mercedes Bustamante, representante da Academia Brasileira de Ciências (ABC), fez um alerta contundente sobre as consequências dos cortes orçamentários. Segundo ela, a redução de verbas para o CNPq vai além de um ajuste financeiro.
“Quando cortamos recursos do CNPq, não estamos apenas fechando planilhas de custeio. Estamos indicando para jovens talentos que eles não podem contar com a ciência como uma carreira. E isso é um crime contra o país. Estamos dizendo a um pesquisador que, após anos de estudo, seu conhecimento não é valorizado. E um país que desvaloriza seus cientistas compromete sua soberania”, declarou Bustamante.
O presidente da Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG), Rógean Soares, reforçou a necessidade de uma mobilização nacional para dobrar os recursos destinados ao CNPq já no orçamento de 2027, visando fortalecer o ecossistema de pesquisa.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora a discussão tenha ocorrido em Brasília, o impacto do financiamento à pesquisa científica ecoa diretamente em regiões como o Norte de Minas Gerais. Instituições de ensino superior e pesquisa locais, como a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) e os campi do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG), dependem significativamente de bolsas e projetos fomentados pelo CNPq.
A garantia de recursos permite a manutenção de laboratórios, a compra de equipamentos e, crucialmente, a concessão de bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado. Sem esse apoio, a região pode enfrentar a perda de jovens talentos que buscam oportunidades em centros maiores, freando o desenvolvimento de pesquisas aplicadas à realidade local, como na agricultura, saúde pública e tecnologias sustentáveis, que são vitais para o avanço socioeconômico do Norte de Minas.