O presidente Lula, em sua última reunião ministerial de 2025, declarou que “Não tem macroeconomia, não tem câmbio: se tiver dinheiro na mão do povo, está resolvido o nosso problema”. Uma fala que, segundo o Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) da Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado, revela uma política deliberada de expansão do gasto governamental, ignorando as consequências para as contas públicas.
O documento, elaborado por analistas sem vinculação partidária, aponta um cenário econômico insustentável. A IFI utiliza um eufemismo ao mencionar “incertezas sobre a sustentabilidade do atual regime fiscal”. Os próprios dados do RAF evidenciam a desmoralização do arcabouço fiscal proposto pelo governo em 2023. Apesar de formalmente existir com metas e limitadores de despesa, o sistema é constantemente violado por exclusões e exceções, gerando custos que exigem aumento na arrecadação, endividamento ou emissão de moeda.
### Dívida Pública em Ascensão Alarmante
A expansão do gasto público, conforme detalhado no RAF, tem um papel crucial no aumento da dívida. Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, devem encerrar o mandato com um expressivo aumento de dez pontos percentuais na dívida pública como proporção do PIB. Esse índice supera a média da América Latina e de países emergentes, segundo dados do Fundo Monetário Internacional. O Brasil se destaca negativamente em outros quesitos, como a carga tributária, que já lidera entre as nações latino-americanas e emergentes, gerando resistência social e no Congresso Nacional à estratégia de fechar as contas por meio de mais impostos.
### Inflação e Juros Sob Pressão
Os analistas da IFI preveem que a convergência da inflação para a meta do Conselho Monetário Nacional ocorrerá apesar das políticas governamentais, e não por causa delas. O aperto monetário, imposto pelo Banco Central como contrapeso à política fiscal frouxa, foi o principal fator de freio para a economia. Essa estratégia, que visa manter a economia aquecida para obter dividendos eleitorais, remete à reeleição de Dilma Rousseff em 2014 e à subsequente recessão de 2015-2016. A manutenção da alta nos gastos em 2026 pode comprometer um eventual ciclo de redução de juros, mesmo com o IPCA retornando aos limites da meta.
### Caos Fiscal: Método ou Incompetência?
A experiência de Lula na vida pública sugere que ele deveria compreender os benefícios de contas públicas equilibradas para os mais pobres. A insistência em sacrificar a saúde fiscal em prol de injetar “dinheiro na mão do povo” pode indicar ignorância ou teimosia. O relatório da IFI sugere que o caos fiscal nos governos petistas não é um acidente, mas sim um método. Embora possa gerar indicadores positivos no curto prazo, a política fiscal expansionista é vista como uma receita certa para a estagnação econômica ou até mesmo para uma crise futura.
### Reflexos para o Norte de Minas
A política fiscal adotada em nível federal pode ter impactos indiretos na região. O aumento da dívida pública e a instabilidade econômica podem afetar a confiança dos investidores e a disponibilidade de recursos para investimentos em infraestrutura e desenvolvimento no Norte de Minas Gerais. A manutenção de juros altos por mais tempo, como consequência da expansão fiscal, pode encarecer o crédito para empresas locais e dificultar o planejamento financeiro de prefeituras e do governo estadual na região, impactando projetos de longo prazo e o bem-estar da população local.<n