O Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, foi palco de noites memoráveis com os desfiles do Grupo Especial do carnaval paulistano. Sete das 14 agremiações da elite da folia apresentaram seus enredos, que transitaram entre a espiritualidade de Chico Xavier e a força dos povos indígenas, marcando a festa com mensagens de fé, memória e luta.
A apuração das notas que definirá a campeã e as rebaixadas ocorreu na terça-feira (17), finalizando um ciclo de celebrações culturais intensas na capital paulista.
Fé e Espiritualidade em Destaque nos Enredos
A religiosidade foi um dos pilares temáticos que emocionou o público. A Tom Maior, por exemplo, trouxe para a avenida a trajetória de Chico Xavier, figura central do espiritismo brasileiro. Seu samba-enredo, “Chico Xavier. Nas Entrelinhas da Alma, as Raízes do Céu em Uberaba”, explorou a fé e a importância do médium mineiro.
Encerrando a noite, a veterana Camisa Verde e Branco, nove vezes campeã, fez uma poderosa homenagem ao orixá Exu. Com o enredo “Abrindo Caminhos”, a escola da Barra Funda evocou o caráter protetor da entidade da tradição Yorubá, ressaltando a riqueza da cultura afro-brasileira.
Homenagens aos Povos Originários e à Ancestralidade
A ancestralidade e a valorização dos povos originários também tiveram seu espaço de protagonismo. A Gaviões da Fiel, terceira colocada em 2025, desfilou com o enredo “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”, destacando a tradição, importância e o papel central dos indígenas na construção da identidade brasileira.
Já a Império da Casa Verde, que abriu o segundo dia de desfiles, mergulhou na história com “Império Dos Balangandãs: Joias Negras Afro-brasileiras”. O enredo revisitou o período da escravidão, a tradição da ourivesaria africana e a incessante luta pela liberdade, reforçando a memória e a resistência do povo negro.
Vultos da Cultura Brasileira e Mundial na Avenida
Além dos temas religiosos e ancestrais, o carnaval paulistano celebrou grandes nomes da arte. A Mocidade Alegre, que quase conquistou o tricampeonato em 2023, homenageou a icônica atriz Léa Garcia, falecida em 2023 aos 90 anos. “Malunga Léa, Rapsódia de uma Deusa Negra” ressaltou sua luta pela igualdade racial e sua contribuição para o teatro e cinema.
A Estrela do Terceiro Milênio dedicou seu enredo a Paulo César Pinheiro, autor de clássicos como “Canto das Três Raças”, celebrando seus 55 anos de carreira. Por outro lado, a Águia de Ouro inovou ao cantar a cidade de Amsterdã, com referências ao pintor Van Gogh e seus famosos girassóis.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora os desfiles ocorram na capital paulista, os temas de religiosidade e valorização dos povos originários ressoam profundamente no Norte de Minas. A região possui uma rica diversidade cultural e religiosa, com manifestações de fé que vão do catolicismo popular ao espiritismo, além da presença marcante de comunidades quilombolas e povos indígenas, como os Xakriabá em São João das Missões. O reconhecimento dessas culturas nos grandes palcos do carnaval nacional fortalece a importância da preservação e celebração da identidade brasileira em todas as suas formas, incluindo as expressões culturais e espirituais presentes em cidades como Montes Claros e seus arredores, onde festas tradicionais e a memória ancestral são constantemente cultivadas.