Um caso confirmado de sarampo em uma bebê em São Paulo acendeu um alerta nacional sobre a necessidade de reforçar a cobertura vacinal. A criança contraiu a doença após viajar com a família para a Bolívia, país que enfrenta um surto de sarampo desde o ano passado. A situação reforça a importância da alta imunização para evitar a reintrodução e circulação do vírus em território brasileiro.
Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), explica que o sarampo é extremamente contagioso, especialmente entre indivíduos não vacinados. “A imunização em altas taxas é o que funciona como barreira na circulação do vírus. Mas se isso não acontecer, não é nem necessário que alguém viaje e contraia o vírus lá fora. Basta ficar aqui, com tanta gente vindo de outros países onde há surto, que o risco é o mesmo”, alertou.
Cobertura Vacinal Abaixo do Ideal
No Brasil, os números de vacinação preocupam. No ano passado, 92,5% dos bebês receberam a primeira dose da vacina tríplice viral, responsável pela proteção contra sarampo, caxumba e rubéola. Contudo, apenas 77,9% completaram o esquema vacinal na idade recomendada, um índice considerado insuficiente para garantir a imunidade de rebanho.
Proteção e Esquema Vacinal
A vacina tríplice viral oferece proteção ao longo da vida para quem a recebe dentro do prazo. Para crianças e adultos que não possuem comprovante de vacinação, as recomendações variam: dos 5 aos 29 anos, são indicadas duas doses com intervalo de um mês; e dos 30 aos 59 anos, uma dose é suficiente. Gestantes e pessoas com o sistema imunológico comprometido não podem receber a vacina.
Embora o caso na bebê seja o primeiro registro oficial em 2024, o país confirmou 38 infecções de sarampo em 2023, a maioria de origem importada. O Brasil ainda mantém o certificado de área livre da doença, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) em 2024. No entanto, é um alerta, pois o país já perdeu este status em 2019, após surtos iniciados por casos importados.
Alerta nas Américas
O continente americano vive um cenário preocupante. Em 2023, foram registrados 14.891 casos em 14 países, resultando em 29 mortes. Até 5 de março deste ano, o número já saltou para 7.145 infecções confirmadas. México, Estados Unidos e Guatemala apresentam as situações mais graves.
Kfouri enfatiza que a grande maioria dos casos ocorre em pessoas não vacinadas, principalmente crianças menores de um ano. Ele desmistifica a ideia de que o sarampo é uma doença inofensiva. “Nos surtos, em geral, para cada 1 mil casos da doença, a gente costuma ter um óbito, mas estamos registrando uma proporção muito maior. No ano passado, foram quase 15 mil casos nas Américas, com quase 30 óbitos. As complicações mais comuns são pneumonia ou quadros neurológicos, como encefalite”, explicou.
Os sintomas clássicos incluem febre alta e manchas vermelhas pelo corpo, acompanhados por tosse, coriza e irritação ocular. Além disso, o vírus do sarampo causa um efeito secundário perigoso: a supressão temporária do sistema imunológico, deixando o indivíduo mais vulnerável a outras infecções por um período de três a seis meses após a recuperação.
Reflexos para o Norte de Minas
Apesar de o caso confirmado ter ocorrido em São Paulo, a baixa cobertura vacinal em nível nacional representa um risco para todas as regiões do Brasil, incluindo o Norte de Minas. A circulação do vírus em países vizinhos e a possibilidade de casos importados demandam atenção redobrada das autoridades de saúde locais e da população. Manter as carteiras de vacinação atualizadas é a principal ferramenta para evitar que um caso isolado se transforme em um surto na região, protegendo crianças e adultos de complicações graves da doença.