O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou neste domingo (8) que a escolha do próximo líder supremo do país é uma responsabilidade exclusiva do povo iraniano, rejeitando veementemente qualquer interferência externa, especialmente por parte dos Estados Unidos. A declaração surge em resposta a comentários feitos pelo presidente americano, Donald Trump, que sugeriu ter participação na decisão.
“Não permitimos que ninguém interfira em nossos assuntos internos. É responsabilidade do povo iraniano escolher seu novo líder”, afirmou Araghchi em entrevista ao programa “Meet the Press”, da rede NBC. Ele também exigiu que o presidente republicano “peça desculpas ao povo da região e ao povo iraniano pelos assassinatos e pela destruição que provocaram”.
Araghchi defendeu as ações militares do Irã, classificando-as como legítima defesa diante do que chamou de “guerra iniciada pelos americanos”. Ele explicou que, embora os mísseis iranianos não alcancem o território dos Estados Unidos, o país tem o direito de atacar bases e instalações americanas na região, que, segundo ele, estão localizadas em países vizinhos.
O chanceler iraniano reiterou que a política externa de Teerã visa à autodefesa e à estabilidade regional, contrastando com a abordagem americana, que, segundo ele, tem gerado conflitos e instabilidade no Oriente Médio. A declaração reforça a tensão diplomática entre os dois países e sublinha a determinação do Irã em manter sua soberania em decisões políticas internas.
A fala de Araghchi também aponta para a complexidade das relações internacionais na região, onde a influência dos Estados Unidos é frequentemente questionada por outros países. A exigência por um pedido de desculpas por parte de Trump adiciona uma camada de confrontação direta ao discurso diplomático iraniano.