China x Taiwan: a guerra civil que nunca terminou e a ameaça de um conflito global

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Poucas disputas no mundo carregam tanto peso histórico e ameaça contemporânea quanto a que envolve China e Taiwan. O que começou como uma guerra civil no século XX transformou-se em uma ferida aberta que, mais de sete décadas depois, ainda pulsa e ameaça explodir em escala global.

A crise tem raízes na Guerra Civil Chinesa (1927–1949). De um lado estava o Partido Comunista, liderado por Mao Tsé-Tung; do outro, o Kuomintang, sob comando de Chiang Kai-shek. A República da China, proclamada em 1912, sobreviveu no continente até a vitória comunista em 1949.

Derrotado, Chiang recuou para Taiwan, levando consigo cerca de dois milhões de seguidores. Pequim, sem capacidade naval imediata, adiou a retomada da ilha. Essa ruptura política e territorial permanece como o ponto de partida da dissidência que marca até hoje as relações entre os dois lados.

O status de Taiwan no cenário internacional

Apesar de sua autonomia política e econômica, Taiwan é reconhecida oficialmente por apenas 12 países e pela Santa Sé. Os Estados Unidos, embora não reconheçam formalmente a independência da ilha, tratam-na como parceira estratégica, garantindo sua proteção militar por meio do Taiwan Relations Act.

A ambição de Pequim e os exercícios militares

Desde então, Pequim jamais renunciou à ideia de reunificação, considerando Taiwan uma província rebelde. Essa convicção transformou a ilha em um objetivo estratégico permanente. Os exercícios militares chineses intensificaram a vigilância mundial, com a expectativa de uma invasão iminente.

Taiwan: o coração da tecnologia mundial

Nas últimas décadas, Taiwan tornou-se um centro nevrálgico da modernidade, fabricando os semicondutores mais avançados do mundo. Esses componentes são essenciais para a comunicação, mobilidade, defesa e inteligência artificial, sustentando a economia global.

O impacto de um conflito na economia global

Qualquer ameaça à ilha teria consequências devastadoras. Um bloqueio ou ataque militar seria como desligar a energia de uma cidade global. As cadeias de suprimento se romperiam, fábricas parariam e a escassez de chips provocaria uma inflação tecnológica e uma recessão global comparável às crises energéticas do século passado.

Cenários para o futuro da disputa

O futuro de Taiwan se desenha em três cenários. O primeiro é a prolongação do status quo, com a China intensificando a pressão diplomática e militar sem confronto direto. O segundo prevê um conflito limitado, com bloqueios navais ou ataques cibernéticos.

O terceiro e mais sombrio cenário é o conflito aberto. Uma invasão de Taiwan poderia levar a um choque direto entre potências nucleares, com resultados devastadores para a economia e a segurança internacional, mergulhando o mundo em uma era de incerteza e recessão prolongada.

A relação entre China e Taiwan permanece um tabuleiro de possibilidades, cada uma carregada de riscos e consequências para o futuro global.

(Conteúdo baseado em informações de Manoel Augusto do Rêgo Barros de Lima, advogado, coronel da reserva da PMPE e professor de Direito Constitucional, Internacional e Militar.)

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