COP15 em Campo Grande Deixa Legado de Conscientização Ambiental e Fomento à Pesquisa
A 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), encerrada em Campo Grande (MS) no último domingo (29), estabeleceu um importante marco para a conscientização ambiental. Durante todo o evento, a Casa do Homem Pantaneiro sediou a agenda paralela “Conexão sem Fronteiras”, oferecendo atividades gratuitas e abertas ao público.
O antigo prédio, localizado no Parque das Nações Indígenas e restaurado para a ocasião, serviu como um espaço de extensão dos debates da conferência, que ocorria na Zona Azul para credenciados. Iniciativas, exposições e atividades educativas foram apresentadas, despertando grande interesse sobre os ciclos e as rotas das espécies migratórias nos biomas brasileiros.
Luiz Henrique Kinikinau, estudante de agroecologia da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems), expressou a relevância das atividades. “Faz a gente refletir que muitas das aves que a gente tem no nosso território passavam despercebidas. Muitas vezes são aves migratórias que a gente não tinha notado, não tinha essa noção”, declarou Kinikinau.
Espaço Recuperado para a Educação
A professora da rede municipal de Campo Grande, Adriana Suzuki, destacou a importância da recuperação de um espaço público para fins educativos. Apesar de praticar observação de pássaros, ela admitiu que pouco sabia sobre a conferência das Nações Unidas para a conservação de espécies migratórias antes do anúncio da capital sul-mato-grossense como sede da COP15.
Ao tomar conhecimento da programação, Suzuki viu uma oportunidade de aprofundar seus conhecimentos e multiplicá-los. “Eu vim estabelecer parcerias a fim de desenvolver projetos, transformar o que a gente vai aprender aqui hoje em processos pedagógicos”, afirmou a professora, evidenciando o potencial transformador do evento.
Legado Duradouro da COP15
Em entrevista à imprensa no encerramento da COP15, a secretária Nacional de Biodiversidade, Rita Mesquita, avaliou que a iniciativa do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima cumpriu seu papel ao demonstrar o potencial da Casa do Homem Pantaneiro como um espaço democrático de divulgação científica. “A gente ficou muito satisfeito com os resultados e com a grande receptividade de todos que foram lá visitar”, ressaltou Mesquita.
A secretária também mencionou outros legados importantes da conferência, como o Bosque da COP15 – um novo espaço verde urbano – e o avanço no conhecimento sobre o tema. Um edital de pesquisa para fomentar estudos sobre espécies e rotas migratórias será lançado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, direcionado a pesquisadores, universidades e centros de pesquisa brasileiros. “É pensar que a gente está aqui construindo alguma coisa também para olhar para o futuro e ter um legado para a cidade. Isso foi muito bacana e foi um esforço compartilhado, integrado por todos os níveis, entes, com muitas parcerias”, completou Rita Mesquita.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora a COP15 tenha ocorrido em Campo Grande, o legado de conscientização ambiental e o fomento à pesquisa sobre espécies migratórias reverberam em outras regiões, incluindo o Norte de Minas. A diversidade de biomas na região, como Cerrado e Caatinga, é crucial para diversas aves e outros animais que realizam migrações sazonais.
Iniciativas como a “Conexão sem Fronteiras” podem inspirar projetos semelhantes em cidades como Montes Claros, promovendo a educação ambiental e a valorização da fauna local. O edital de pesquisa anunciado pelo MCTI representa uma oportunidade para universidades e centros de pesquisa do Norte de Minas, como a Unimontes, buscarem financiamento para estudos que contribuam para a conservação de espécies migratórias presentes no estado, fortalecendo a base científica para políticas públicas de proteção ambiental na região.