Cordão do Bola Preta Celebra 107 Anos de Tradição no Carnaval do Rio e Inspira Preservação Cultural
Bloco mais antigo do Brasil desfila com tema ‘DNA do Carnaval’, atraindo multidões, celebridades e reforça reconhecimento histórico.
O Cordão do Bola Preta, um dos símbolos mais icônicos do Carnaval carioca, celebrou sua 107ª edição neste sábado (14) nas ruas do Centro do Rio de Janeiro. Foliões vestidos em branco e bolinhas pretas tomaram as vias, consolidando a tradição que faz do Bola Preta o bloco mais antigo em atividade no país. O tema deste ano, ‘Bola Preta, DNA do Carnaval’, ressaltou a relevância histórica do grupo.
O desfile seguiu o trajeto clássico, com concentração na Rua Primeiro de Março e passagem pela Avenida Presidente Antônio Carlos. A festa reuniu um público diversificado: cariocas, turistas, famílias inteiras, idosos e crianças, todos embalados pelas clássicas marchinhas e pelo hino oficial ‘Quem não chora, não mama’.
Energia e Celebridades na Folia
A energia contagiante do Bola Preta atraiu tanto veteranos quanto novos foliões. Luana Flor, recém-formada em fisioterapia, escolheu o bloco para celebrar sua conquista. “Não tinha lugar melhor para eu curtir a minha formatura. Escolhi o Bola Preta, porque é um bloco tradicional. Ele traz a história do Rio e é sempre muito cheio, tem uma energia muito boa”, declarou Luana à Agência Brasil.
A presença de celebridades também marcou o evento. Paolla Oliveira, rainha do bloco, foi recebida com euforia pela multidão. “Muito feliz de estar mais um ano aqui com o Bola Preta, que tem essa energia maravilhosa. Existe algo melhor do que essa festa aqui?”, questionou a atriz, apontando para os foliões. A porta-estandarte Leandra Leal e outros membros da Corte Real, como Neguinho da Beija-Flor e Maria Rita, também abrilhantaram o cortejo.
A foliã Eliane Silva, fã de Paolla Oliveira há 15 anos, carregava um cartaz pedindo uma foto com a rainha, repetindo um ritual de carnavais anteriores. “Acompanho o Bola Preta há 15 anos e, como acontece todo ano, estou aqui à espera da nossa grande rainha”, disse Eliane, que tinha três fotos antigas com a atriz no cartaz.
História, Sustentabilidade e Futuro
O Cordão do Bola Preta completou 107 anos em 31 de dezembro, com uma trajetória que se confunde com a própria história do Carnaval de rua brasileiro. Fundado em 1918, o bloco resistiu a guerras, mudanças políticas, censura e a pandemia de covid-19. Pedro Ernesto, presidente do bloco, explicou que a essência dos fundadores, que surgiu de uma dissidência do Clube dos Democráticos em 1917, se mantém viva até hoje, sendo a razão da força e resiliência do Cordão.
Em uma iniciativa de sustentabilidade, o bloco mantém, pelo terceiro ano consecutivo, uma parceria com a Liga Amigos do Zé Pereira, o bloco Vagalume O Verde e o Parque Nacional da Tijuca/ICMBio para medir e compensar as emissões de carbono dos geradores dos trios elétricos.
O reconhecimento oficial da importância do Bola Preta veio em julho do ano passado, quando foi declarado Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. A Prefeitura do Rio anunciou na última semana que o bloco ganhará um centro cultural em sua sede na Lapa, com obras previstas para começar no primeiro semestre deste ano e durar cerca de oito meses, recuperando uma área de 1,2 mil metros quadrados.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora o Cordão do Bola Preta seja uma manifestação cultural do Rio de Janeiro, sua longevidade e o recente reconhecimento como Patrimônio Histórico oferecem reflexões importantes para o Norte de Minas. A celebração de 107 carnavais destaca a importância da preservação de tradições culturais e a valorização de festas populares que moldam a identidade de uma região. Em Montes Claros e demais cidades do Norte de Minas, onde o calendário cultural é rico em festas juninas, folias de reis e outras manifestações folclóricas, a história do Bola Preta serve de inspiração para o reconhecimento e manutenção desses patrimônios locais. Eventos de tamanha envergadura também atraem o turismo cultural, movimentando a economia e promovendo o intercâmbio entre diferentes regiões do país, inclusive com a possibilidade de foliões mineiros buscarem experiências em carnavais históricos como o do Rio.