Dólar Recua Forte e Fecha em R$ 5,23 com Alívio em Mercados Globais
Moeda americana teve queda de 1,6% impulsionada por melhora no cenário externo e expectativa sobre juros no Brasil.
O mercado financeiro registrou um dia de respiro nesta segunda-feira (16). O dólar comercial encerrou as negociações vendido a R$ 5,229, com uma significativa queda de R$ 0,085 (-1,60%). A cotação, que chegou a R$ 5,28 pela manhã, despencou no período da tarde, fechando próxima da mínima do dia e acompanhando o movimento da moeda no exterior.
Apesar do recuo, o dólar acumula alta de 1,87% em março. No acumulado do ano, no entanto, a moeda estadunidense registra queda de 4,72% frente ao real, revertendo parte das fortes altas dos dois pregões anteriores, quando superou R$ 5,30, atingindo o maior nível de fechamento desde janeiro.
Alívio Geopolítico e Queda do Petróleo
A redução da aversão global ao risco foi o principal motor da melhora nos mercados. A queda nas cotações do petróleo, por exemplo, favoreceu ativos de mercados emergentes, posicionando o real como um dos melhores desempenhos entre essas moedas.
O contrato do petróleo tipo Brent para maio fechou em baixa de 2,84%. Essa queda ocorreu diante da expectativa de retomada gradual do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma rota estratégica por onde passa cerca de 20% da oferta global de petróleo. Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também contribuíram para aliviar a tensão geopolítica, ao indicar que o acesso ao estreito poderá ser restabelecido em breve e que há interlocutores no Irã dispostos a dialogar. Investidores, então, desmontaram posições defensivas após o receio de escalada do conflito no Oriente Médio na sexta-feira anterior.
Cenário Interno e Expectativa do Copom
No Brasil, operadores de mercado também apontam como fator positivo as intervenções do Tesouro Nacional. O órgão realizou duas operações de recompra de títulos públicos, ampliando a liquidez e reduzindo tensões na curva de juros. Essa movimentação impulsionou a queda das taxas de contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), que registraram recuos superiores a 30 pontos-base (0,3 ponto percentual) em alguns vencimentos.
Investidores também ajustam suas posições antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, agendada para quarta-feira (18). A expectativa predominante é de um corte mais moderado da taxa Selic, possivelmente de 0,25 ponto percentual, levando os juros de 15% para 14,75% ao ano. Contudo, parte dos analistas já considera a possibilidade de manutenção da taxa diante das pressões inflacionárias provocadas pela alta recente do petróleo. Mesmo com uma eventual redução, o diferencial de juros do Brasil deve permanecer elevado, o que tende a sustentar a atratividade do real para investidores internacionais.
Reflexos para o Norte de Minas
A queda do dólar e a estabilização dos mercados globais trazem um respiro para a economia brasileira, com reflexos diretos no Norte de Minas. Empresas da região que dependem de insumos importados, como maquinário agrícola ou componentes industriais, podem se beneficiar de custos mais baixos, aliviando a pressão sobre os preços finais ao consumidor. Além disso, a expectativa de um corte na taxa Selic pelo Copom, embora moderado, pode estimular o crédito e o investimento local, favorecendo pequenos e médios empreendedores em Montes Claros e cidades vizinhas. A maior liquidez no mercado de títulos públicos também contribui para um ambiente de negócios mais previsível, essencial para o planejamento de longo prazo das empresas na região.