Fim da Escala 6×1 e Jornada de 40 Horas Semanais é Prioridade do Governo Federal, Afirma Boulos
Ministro da Secretaria-Geral da Presidência defende proposta de 5×2 e redução de carga horária sem corte salarial, enfrentando resistência empresarial e buscando garantir direitos trabalhistas em todo o país, com reflexos em Montes Claros e região.
Acabar com a escala de trabalho 6×1 é uma das principais prioridades do governo federal para este ano, segundo o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos. A declaração foi feita nesta segunda-feira (23), reforçando o compromisso com a melhoria das condições trabalhistas no Brasil.
Fim da Escala 6×1 e Redução da Jornada
Durante sua participação no programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional (EBC), Boulos detalhou a proposta governamental. “A proposta que nós estamos defendendo, junto com o [presidente Luiz Inácio] Lula, é o fim da escala 6×1, ou seja, no máximo 5×2. No mínimo, o trabalhador ter dois dias de descanso por semana livres e reduzir a jornada máxima para 40 horas semanais sem redução de salário”, explicou o ministro.
Boulos reconheceu a forte resistência por parte dos empresários em relação à medida. Contudo, ele comparou a situação a outros avanços históricos nos direitos dos trabalhadores, como a implantação do salário mínimo, do 13º salário e das férias remuneradas. “Eu nunca vi patrão defender aumento de direito do trabalhador. Ele sempre vai ser contra, sempre vai contar um monte de lorota dizendo que vai acabar [com a economia]. O fato é que tudo isso foi aprovado historicamente no Brasil e a economia não ruiu”, afirmou Boulos.
Outras Pautas Prioritárias do Governo
Além da jornada de trabalho, o ministro destacou outras pautas importantes para o governo. A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública figura entre as prioridades, visando a criação de um Ministério da Segurança Pública com atribuições legalmente estabelecidas. A iniciativa busca fortalecer a gestão e as políticas de segurança pública em nível nacional.
A garantia de direitos para os trabalhadores de aplicativos de transporte e entrega também é um esforço do governo federal. Boulos defende a necessidade de estabelecer taxas percentuais fixas a serem repassadas às empresas, evitando que o trabalhador seja lesado. “A empresa só faz a intermediação tecnológica. Liga o passageiro ao motorista, faz a gestão de um aplicativo, ela não troca um pneu, não tem um carro, não dirige, e de cada viagem ela fica com 50% do lucro do trabalhador. Isso é inaceitável”, criticou. Um grupo de trabalho foi criado pela pasta no final do ano passado para formular propostas de regulação trabalhista para a categoria.
Debate sobre Hidrovias na Amazônia
Boulos também informou que retornaria a Brasília para uma reunião com lideranças indígenas do Pará. O encontro abordaria o Decreto nº 12.600, de agosto de 2025, que incluiu as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND). Recentemente, representantes do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita) ocuparam o escritório da multinacional Cargill, no Porto de Santarém (PA), exigindo a revogação do decreto, que consideram uma ameaça ao meio ambiente e à soberania alimentar dos povos.
“Eu tenho defendido que o governo atenda a pauta indígena e eu acho que tem possibilidade real disso acontecer. Eu acredito que hoje vamos ter notícias boas sobre isso”, adiantou o ministro. Apesar de o decreto ter sido publicado antes de sua entrada no governo, Boulos afirmou que sua defesa é por atender à reivindicação, que considera “justa e necessária”, embora a decisão final dependa de debate com outros ministérios envolvidos.
Reflexos para o Norte de Minas
As propostas do governo federal, especialmente o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, podem gerar impactos significativos para os trabalhadores e empresas em Montes Claros e em todo o Norte de Minas. A região, com sua diversidade econômica que inclui comércio, serviços e indústrias, conta com milhares de trabalhadores formais que atualmente podem estar submetidos à escala 6×1. A transição para um modelo 5×2 e a redução da carga horária sem diminuição salarial representariam um avanço direto na qualidade de vida e no poder de compra dos cidadãos locais.
Além disso, a regulamentação dos trabalhadores de aplicativos, como motoristas e entregadores, é de grande relevância para Montes Claros, onde o setor de transporte por aplicativo tem crescido exponencialmente. A garantia de taxas justas e melhores condições de trabalho para esses profissionais impactaria diretamente a renda e a segurança financeira de centenas de famílias na cidade e municípios vizinhos. As discussões em Brasília, portanto, trazem a expectativa de melhorias trabalhistas que, se aprovadas, repercutirão positivamente na economia e no bem-estar social do Norte de Minas.