Governo Brasileiro Debate Cotas para Exportação de Carne Bovina à China para Evitar Competição Desenfreada

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O governo brasileiro está empenhado em encontrar uma solução para a limitação de exportação de carne bovina imposta pela China. A proposta em discussão entre os ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) é a criação de cotas individuais para as empresas exportadoras. O objetivo é estruturar o fluxo de embarques e prevenir uma “corrida desenfreada” que poderia prejudicar o setor.

Proposta de Cotas Empresariais Ganha Força

A sugestão de implementar cotas empresariais foi apresentada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua. Em um ofício enviado ao MDIC, Rua solicitou que o tema fosse pauta de debate e votação na próxima reunião do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex). No entanto, a proposta não chegou a ser incluída na agenda oficial do encontro, que ocorreu nesta quinta-feira (12).

Segundo Luís Rua, a regulamentação por meio de cotas empresariais serviria para equalizar a concorrência entre os exportadores brasileiros. O temor das autoridades é que a ausência de um controle organizado possa desestabilizar os preços, gerando impactos negativos tanto para os frigoríficos quanto para os produtores rurais. O modelo a ser aplicado seria semelhante ao já existente para a exportação de carne de frango para a União Europeia.

Salvagardas Chinesas e o Impacto no Mercado Brasileiro

A iniciativa do governo brasileiro surge como resposta direta às novas salvaguardas implementadas pela China. O país asiático estabeleceu limites para as importações de carne bovina que se beneficiam de tarifas reduzidas, com o objetivo declarado de proteger seu mercado interno e seus pecuaristas locais. Esse mecanismo prevê cotas anuais com tarifas menores para todos os parceiros comerciais. Volumes que excederem essas cotas serão sujeitos a sobretaxas. A nova política de proteção chinesa terá vigência de três anos, a partir de 1º de janeiro de 2026.

Para o Brasil, a cota designada é de 1,106 milhão de toneladas. Embora o país tenha recebido a maior parcela das cotas, o volume é inferior ao total exportado em 2025, quando mais de 1,6 milhão de toneladas de carne bovina foram comercializadas com a China, gerando uma receita recorde de US$ 8,8 bilhões. Esse montante representou 53,2% das receitas internacionais brasileiras no agronegócio pecuário, segundo dados da Comex-Stat.

Alternativas e Perspectivas para o Setor

Apesar da preocupação, o Ministério da Agricultura e Pecuária avalia que o impacto das novas regras chinesas pode ser mitigado. A expansão para novos mercados, com 20 acordos comerciais firmados nos últimos três anos, e a possibilidade de negociação de cotas não utilizadas por outros países são vistas como estratégias para minimizar os efeitos negativos sobre os exportadores brasileiros.

Reflexos para o Norte de Minas

A decisão do governo em buscar regular a exportação de carne bovina para a China pode ter implicações indiretas para o agronegócio no Norte de Minas Gerais. A região, com forte vocação pecuária, busca diversificar seus mercados e fortalecer sua produção. A estabilidade nas relações comerciais com grandes compradores como a China é crucial para garantir a previsibilidade de investimentos e a manutenção de empregos no setor, que movimenta a economia local e sustenta diversas famílias na área rural.

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