O Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Serviços (SIC), e a Universidade Federal de Goiás (UFG) assinaram um acordo histórico para a instalação do Centro de Ciências e Tecnologia Mineral. A nova estrutura será sediada na Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT/UFG), no Câmpus Aparecida de Goiânia, e contará com um aporte de R$ 28 milhões. O objetivo é fomentar pesquisas em processamento de minerais, com foco especial em Terras Raras e remineralizadores de solo, além de promover a capacitação de novos profissionais para o setor.
A parceria envolve ainda a Fundação de Apoio à Pesquisa (Funape) e a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). O momento é estratégico, considerando o protagonismo de Goiás na descoberta de Terras Raras, minerais cruciais para a transição energética global. O centro tecnológico desenvolverá pesquisas e inovações em diversas áreas da mineração, incluindo agrominerais, minerais para construção civil, gemas e os chamados minerais estratégicos.
Plano Estadual de Recursos Minerais ganha impulso
O secretário de Estado de Indústria, Comércio e Serviços, Joel Sant’Anna, destacou que a iniciativa é uma continuidade do Plano Estadual de Recursos Minerais (PERM), que projeta o futuro da geologia e mineração no estado para as próximas duas décadas. “Com a descoberta das Terras Raras e o trabalho da SIC para atrair investimentos na exploração desses minerais críticos, essenciais para a transição energética mundial, a criação desse centro é fundamental para que Goiás avance cientificamente, com transferência de tecnologia e negócios”, afirmou Sant’Anna. Ele ressaltou a possibilidade de verticalização da cadeia produtiva das Terras Raras no estado, permitindo não apenas a exportação do minério, mas também o desenvolvimento de tecnologias a partir dele.
UFG reforça papel estratégico na pesquisa mineral
A reitora da UFG, Sandramara Matias, enfatizou que a escolha da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT/UFG) se deve à sua natureza multidisciplinar e à presença do curso de Geologia. “A UFG tem um potencial enorme de contribuir para o desenvolvimento da sociedade por meio da pesquisa e da ciência, e esse acordo com o governo estadual demonstra a força e a importância da universidade”, declarou Matias. Ela acredita que o novo centro ajudará Goiás a se consolidar nacionalmente na produção e no desenvolvimento de novas tecnologias minerais.
Potencial geológico e projetos em andamento
Goiás possui importantes reservas de Terras Raras em municípios como Minaçu, Nova Roma e Iporá. Destaques incluem o projeto Serra Verde, em Minaçu, a única operação comercial de Terras Raras em atividade no Brasil e uma das poucas fora da Ásia. O Projeto Carina, da Aclara Resources, em Nova Roma, com investimento estimado em R$ 2,8 bilhões, e as pesquisas da multinacional canadense Appia em Iporá também reforçam o potencial do estado.
Recentemente, a inclusão do setor mineral no ProGoiás, programa de incentivos fiscais, tem tornado o estado mais competitivo para o processamento e industrialização de minerais. O secretário Joel Sant’Anna concluiu que Goiás, com o alinhamento entre segurança jurídica, incentivos, respeito ambiental e investimento em ciência, “será referência nacional na mineração em poucos anos e terá competitividade no mercado internacional com alta tecnologia mineral”.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora a notícia se refira a um investimento no âmbito estadual de Goiás, a iniciativa de fomentar a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico em minerais estratégicos, como as Terras Raras, pode ter implicações para o desenvolvimento de polos de pesquisa e inovação em outras regiões do Brasil, incluindo o Norte de Minas. A busca por novas tecnologias de processamento e agregação de valor a minérios pode inspirar parcerias locais e atrair investimentos para a exploração de recursos minerais na região, impulsionando a economia e a geração de empregos qualificados.