O governo federal encerrou o mês de fevereiro com um déficit primário de R$ 30 bilhões. O resultado negativo foi influenciado por um cenário em que as despesas totais superaram as receitas arrecadadas, apesar de um crescimento real na arrecadação, ou seja, acima da inflação.
### Receitas em Alta, Gastos em Expansão
A arrecadação federal apresentou um desempenho positivo em fevereiro, impulsionada principalmente pelo aumento na arrecadação de impostos sobre importação e tributos sobre o lucro e o faturamento. Esses fatores ajudaram a compensar a queda observada em receitas não administradas, como os dividendos provenientes de estatais.
Por outro lado, os gastos públicos também registraram um aumento significativo. Esse avanço nas despesas está diretamente ligado à execução de políticas públicas, ao incremento no número de beneficiários de programas sociais e a reajustes salariais.
### Acumulado do Ano Ainda Positivo
Apesar do déficit em fevereiro, o primeiro bimestre do ano ainda apresenta um resultado positivo para as contas públicas. Isso se deve ao superávit de R$ 86,9 bilhões registrado em janeiro, mês tradicionalmente marcado por um saldo favorável devido a entradas de impostos e outras receitas.
### Meta Fiscal e Projeções para 2026
A meta fiscal estabelecida pelo governo para 2026 é alcançar um superávit de 0,25% do PIB, o que equivale a aproximadamente R$ 34,3 bilhões. O arcabouço fiscal vigente permite uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB).
Na prática, a previsão oficial de déficit para o ano, considerando todos os gastos públicos, foi divulgada recentemente pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento, estabelecendo-a em R$ 59,8 bilhões.
### Investimentos em Obras Públicas Crescem
Um ponto de destaque no início do ano é o aumento nos investimentos em obras públicas e compra de equipamentos. Entre janeiro e fevereiro, esses desembolsos somaram R$ 9,527 bilhões, representando um crescimento de 49,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, já descontada a inflação.
### Reflexos para o Norte de Minas
As oscilações nas contas públicas federais podem gerar impactos indiretos para o Norte de Minas. A execução de políticas públicas e o nível de investimento em infraestrutura no país influenciam o cenário econômico nacional, o que se reflete em oportunidades de emprego e desenvolvimento regional. A região, que depende de repasses federais para diversas áreas, como saúde e educação, acompanha de perto as decisões fiscais do governo central. Um cenário de maior controle de gastos, por exemplo, pode impactar a liberação de verbas para projetos locais, enquanto um aumento nos investimentos pode impulsionar a economia do Norte de Minas com a retomada de obras e a geração de novas vagas de trabalho.