Investimento em Carnaval Supera Indústria Tradicional em Retorno, Aponta Economista Mariana Mazzucato em Visita ao Brasil

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Carnaval como Motor Econômico e Social

A renomada economista Mariana Mazzucato, uma das vozes mais influentes do cenário global e autora do livro “O Estado Empreendedor”, esteve no Brasil para aprofundar seus estudos sobre a economia criativa, com foco especial no Carnaval. Em sua pesquisa, liderada pela University College London (UCL) em cooperação com a Unesco, Mazzucato sustenta que o retorno do investimento em artes e cultura, exemplificado pelo Carnaval, é superior ao de setores tradicionais da indústria, como o automobilístico.

Durante sua passagem por Rio de Janeiro, Salvador e Brasília, onde se reuniu com gestores federais, a economista defendeu que o Carnaval transcende a festa, configurando-se como um modelo de negócios robusto. “Mais do que apenas falar da comida, da bebida, dos hotéis e do turismo durante o Carnaval, é o impacto social das habilidades, das escolas, das redes, do valor da coesão social, do senso de identidade e patrimônio”, explicou Mazzucato em entrevista à Agência Brasil.

Desafios e Potenciais da Economia Criativa

Mazzucato questionou a narrativa de que “não há dinheiro” para investimentos em cultura, argumentando que o setor contribui significativamente para a redução da criminalidade e o bem-estar social. “Para cada real investido, o retorno para a economia como um todo é maior do que na indústria automobilística. Isso é verdade globalmente”, afirmou.

A economista também alertou para os riscos de concentração de renda no ecossistema carnavalesco. “Quem tem acesso [ao Carnaval]? Está se tornando muito comercial? Para onde vai o dinheiro? Os patrocínios, por exemplo, estão sendo reinvestidos nas comunidades e no ecossistema que cria essa incrível criatividade?”, indagou, ressaltando a necessidade de políticas públicas que garantam um desenvolvimento inclusivo.

O Papel do Estado e do Setor Privado

A visita de Mazzucato ao Brasil faz parte de uma parceria com o Ministério da Cultura para a criação de indicadores econômicos que subsidiem o governo na formulação de políticas de fomento à economia do Carnaval, da cultura e das artes. A especialista defende que o Estado deve focar no “como” investir, e não “se” deve investir, comparando a relutância em financiar a cultura com a facilidade de destinar recursos para áreas como Defesa.

Em relação ao setor privado, Mazzucato enfatizou a importância de parcerias orientadas a objetivos públicos, que catalisem a experimentação e o investimento. “Não queremos simplesmente dar dinheiro ao setor privado para patrocinar um projeto aleatório”, pontuou, defendendo um planejamento estratégico conjunto.

Reflexos para o Norte de Minas

Embora a discussão de Mazzucato tenha um escopo nacional, suas análises sobre a economia criativa do Carnaval trazem importantes reflexões para o Norte de Minas. A região, rica em manifestações culturais e folclóricas, como as festas juninas, o congado e outros eventos tradicionais, poderia se beneficiar de uma abordagem semelhante para impulsionar o desenvolvimento local.

A implementação de políticas públicas que valorizem as cadeias produtivas culturais – da confecção de trajes à organização de eventos e ao turismo cultural – pode gerar emprego e renda para comunidades, muitas vezes vulneráveis, em cidades como Montes Claros e municípios vizinhos. O desafio reside em criar mecanismos de investimento público e privado que garantam que os benefícios sejam reinvestidos localmente, fortalecendo a identidade e a coesão social da região.

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