Irã anuncia julgamentos ‘rápidos’ para manifestantes, enquanto ONGs alertam para risco de pena de morte em massa

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O Judiciário iraniano anunciou, nesta quarta-feira (14), a realização de julgamentos “rápidos” para manifestantes detidos durante os protestos que têm abalado o país. A medida surge em um momento de crescente preocupação de organizações não governamentais (ONGs) com a possibilidade de aplicação em massa da pena de morte contra os detidos.

As manifestações, que começaram como um protesto contra o custo de vida, evoluíram para um movimento contra o regime teocrático. As autoridades iranianas rotulam os manifestantes como “rebeldes”.

Em paralelo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington agiria “com muita firmeza” caso o Irã iniciasse execuções de manifestantes presos. O Irã, por sua vez, acusou os EUA de buscarem um “pretexto” para justificar uma intervenção militar.

A Anistia Internacional e o Departamento de Estado dos EUA divulgaram informações sobre o que seria a primeira execução de um manifestante, agendada para esta quarta-feira. Segundo o Departamento de Estado, Erfan Soltani, de 26 anos, teria sua execução marcada para esta data. A Anistia Internacional fez um apelo para que o Irã “suspenda imediatamente todas as execuções”.

O chefe do Judiciário iraniano, Gholamhosein Mohseni Ejei, visitou uma prisão em Teerã onde manifestantes estão detidos e prometeu julgamentos “rápidos” e “públicos”. “Se alguém ateou fogo em uma pessoa, a decapitou antes de queimar seu corpo, devemos fazer nosso trabalho rapidamente”, declarou Ejei, segundo a mídia iraniana.

Trump, que tem ameaçado repetidamente uma intervenção militar, postou em sua plataforma Truth Social: “Patriotas iranianos, CONTINUEM PROTESTANDO — ASSUMAM O CONTROLE DE SUAS INSTITUIÇÕES!”.

A repressão no Irã já deixou pelo menos 734 mortos, segundo a ONG Iran Human Rights. O acesso à internet permanece cortado em todo o país há sete dias, dificultando a verificação independente de informações. A Human Rights Watch reportou informações confiáveis sobre “massacres em larga escala”.

A comunidade internacional tem condenado a violência. A ONU declarou-se “horrorizada”, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, denunciou o número “apavorante” de mortos e afirmou que novas sanções contra Teerã estão sendo consideradas.

Trump anunciou na terça-feira sanções contra parceiros comerciais do Irã, com tarifas de até 25% em vigor “imediatamente”. Reza Pahlavi, filho do antigo xá do Irã, exortou o exército a “unir-se ao povo o mais rápido possível”.

Analistas consideram que ainda é cedo para prever a queda do poder teocrático, dada a capacidade repressiva da República Islâmica, especialmente da Guarda Revolucionária.

Reflexos para o Norte de Minas

Embora os eventos ocorram no Irã, a escalada de tensões e a resposta internacional podem influenciar o cenário geopolítico global. Para o Norte de Minas, a instabilidade em regiões produtoras de petróleo pode, a longo prazo, impactar os preços de combustíveis e insumos, afetando a economia local, especialmente o agronegócio e o setor de transportes, que dependem diretamente desses insumos. Monitorar as decisões de políticas externas de grandes potências, como os EUA, e suas implicações no mercado internacional é crucial para antecipar possíveis impactos na região.

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