As taxas de juros cobradas de famílias brasileiras alcançaram um patamar alarmante em 2025, chegando a 60,1% ao ano. O aumento expressivo reflete a escalada da taxa básica de juros, a Selic, que atinge seu nível mais alto desde 2006, impactando diretamente o custo do crédito para o consumidor final.
A modalidade de cartão parcelado, frequentemente utilizada por quem não consegue quitar a fatura integralmente, registrou um aumento de 17,9 pontos percentuais, elevando a taxa anual para impressionantes 189%. Paralelamente, o crédito pessoal não consignado também sofreu um acréscimo significativo, subindo 13,4 pontos percentuais e atingindo 116,8% ao ano.
Crédito para empresas e o cenário geral
No setor corporativo, as operações de crédito livre apresentaram uma taxa média de 25% ao ano no encerramento de 2025, um aumento de 3,3 pontos percentuais. Destaque para o capital de giro com prazo de até 365 dias, que saltou para 50,3% ao ano, e o cheque especial, que disparou para 355,7% ao ano, com incrementos de 30,6 e 24,7 pontos percentuais, respectivamente.
Em contrapartida, o crédito direcionado, cujas regras são definidas pelo governo e voltado para habitação, setor rural, infraestrutura e microcrédito, manteve taxas mais baixas. Para pessoas físicas, a taxa média foi de 11,2% ao ano, com alta de 1 ponto percentual. Para empresas, a taxa permaneceu estável em 12,2% ao ano.
Selic e o controle da inflação
A elevação dos juros bancários acompanha a política monetária do Banco Central (BC), que elevou a Selic para 15% ao ano. O objetivo principal dessa medida é conter a inflação, tornando o crédito mais caro e incentivando a poupança, o que, em teoria, reduz o consumo e a pressão sobre os preços.
O spread bancário, que mede a diferença entre o custo de captação dos bancos e as taxas cobradas dos clientes, situou-se em 21,4 pontos percentuais, um aumento de 3,9 pontos percentuais em 2025. Essa margem cobre os custos operacionais, riscos de inadimplência e a margem de lucro das instituições financeiras.
Desaceleração no saldo e aumento da inadimplência
Apesar da alta nos juros, as concessões de crédito apresentaram desaceleração em 2025, com um aumento de 9,1% no ano, comparado aos 15,5% registrados em 2024. O estoque total de empréstimos atingiu R$ 7,122 trilhões, com crescimento de 10,2%, também inferior ao ano anterior.
A inadimplência, que representa atrasos superiores a 90 dias, aumentou em todos os segmentos. Para famílias, o índice chegou a 5%, com elevação de 1,5 ponto percentual. No setor empresarial, a inadimplência foi de 2,5%, após um aumento de 0,5 ponto percentual.
Endividamento familiar em foco
O endividamento das famílias, que relaciona o saldo das dívidas à renda acumulada em 12 meses, atingiu 49,8% em novembro. Excluindo o financiamento imobiliário, o indicador ficou em 31,3%. Já o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas situou-se em 29,3% em novembro, com um aumento de 2,2 pontos percentuais ao longo do ano.
Esses indicadores, que utilizam dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do IBGE, mostram a crescente pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras em um cenário de juros elevados e inflação persistente.