A safra de verão 2025/2026 na Região Sul do Brasil tem sido marcada por desafios climáticos. Sob a influência do fenômeno La Niña, produtores gaúchos, catarinenses e paranaenses enfrentam um ciclo de chuvas irregulares e redução nos acumulados, impactando significativamente a produção agrícola.
O monitoramento do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicou que, apesar das dificuldades, algumas áreas do centro-sul e leste da região Sul ainda registraram volumes pontuais de chuva, como os 457,4 mm em Morretes (PR). No entanto, este cenário contrasta com a seca generalizada imposta pelo fenômeno em larga escala.
Impacto Severo no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, os efeitos do La Niña foram particularmente rigorosos. O estado registrou volumes de chuva consideravelmente inferiores à média histórica em meses cruciais para o desenvolvimento da soja. Embora fevereiro de 2026 tenha apresentado uma leve melhora em relação a janeiro, as precipitações foram concentradas, mantendo períodos prolongados de solo seco. Essa escassez hídrica resultou em perdas irreversíveis na produção de soja, especialmente nas regiões oeste e noroeste, onde o armazenamento de água no solo atingiu níveis críticos.
Desafios em Santa Catarina e Paraná
Em Santa Catarina, a irregularidade das chuvas também impôs severos desafios às lavouras. No extremo oeste catarinense, os acumulados de chuva ficaram abaixo de 150 mm, limitando o potencial produtivo. Temperaturas máximas médias elevadas, superando os 33 °C em algumas localidades, aceleraram a evapotranspiração e reduziram a reserva hídrica. Pancadas de verão isoladas, embora intensas, garantiram apenas uma sobrevivência mínima em áreas do centro-leste.
No Paraná, o panorama apresentou maior contraste regional. Enquanto o centro-sul e o leste mantiveram níveis satisfatórios de umidade no solo, beneficiando a maturação e colheita, as porções oeste e noroeste sofreram com o tempo seco. Em Marechal Cândido Rondon, as temperaturas máximas chegaram a 34,4 °C, intensificando o estresse térmico. O tempo firme, por um lado, agilizou a entrada das colheitadeiras, mas por outro, limitou drasticamente o estabelecimento das culturas de segunda safra.
La Niña e suas Consequências
O fenômeno La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas do Pacífico Equatorial, foi o principal motor dessa dinâmica climática. Mesmo em fase de transição para a neutralidade no final do primeiro trimestre de 2026, os efeitos residuais da seca acumulada durante o verão deixaram um rastro de prejuízos.
Segundo o Inmet, a baixa trafegabilidade e as janelas de plantio apertadas para a safrinha são consequências diretas desse ciclo. Agricultores do Sul do Brasil precisam, cada vez mais, adotar estratégias de manejo de solo e seguro agrícola para mitigar a volatilidade climática que se tornou a marca desta temporada.
As informações são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).