Livro “82 Uma Copa para Sempre” Resgata Fascínio e Dor da Geração que Amou o Futebol Arte

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A Copa do Mundo de 1982, disputada na Espanha, permanece viva na memória afetiva de muitos brasileiros. Aquele torneio, que viu a Seleção Brasileira encantar o mundo com um futebol arte, é agora o foco do livro “82 Uma Copa para Sempre”, escrito por Celso Unzelte e Gustavo Longhi de Carvalho. A obra mergulha nas emoções, nas jogadas memoráveis e, inevitavelmente, na dolorosa derrota para a Itália, que se tornou um marco na história do futebol nacional.

Celso Unzelte, renomado jornalista e pesquisador de futebol, descreve em sua apresentação o fascínio pessoal pela Copa de 82, definindo-a como uma “Copa para sempre”. Ele compartilha que, para muitos de sua geração, o desejo era ter conquistado o tetracampeonato ainda jovens, tamanha a identificação com aquela equipe. Gustavo Longhi de Carvalho complementa a ideia, ressaltando que o torneio cativa tanto quem o viveu quanto aqueles que o conheceram posteriormente.

A Geração que Subverteu a Cultura da Derrota

A Seleção Brasileira de 1982 é frequentemente lembrada como uma exceção à regra em um país que, historicamente, tende a execrar perdedores. Mesmo a derrota por 3 a 2 para a Itália em 5 de julho, no Estádio Sarriá, em Barcelona, não ofuscou o brilho da equipe comandada por Telê Santana. O time, repleto de craques como Zico, Falcão, Sócrates, Éder e Júnior, representava o ápice do “futebol arte” e era visto como a melhor geração desde 1970.

Contexto Político e Euforia Nacional

O ano de 1982 também foi marcado por um momento político de transição no Brasil, com a população se preparando para eleger governadores e, dois anos depois, participando ativamente da campanha das “Diretas Já”. Em meio a uma crise econômica, a performance da Seleção Brasileira na Copa trouxe um clima de euforia e esperança, especialmente após dois mundiais anteriores com desempenhos considerados decepcionantes (1974 e 1978).

Uma “Anatomia da Derrota” à Brasileira

O livro “82 Uma Copa para Sempre” transporta o leitor para os momentos de alegria e expectativa daquela Copa, fazendo com que, página a página, se torça por um desfecho diferente. No entanto, com rigor jornalístico, a obra reconstrói a realidade de que, no futebol, nem sempre o melhor vence. A publicação é comparada ao monumental “Anatomia de uma Derrota”, de Paulo Perdigão, que dissecou a trágica derrota do Brasil para o Uruguai na Copa de 1950, no Maracanã.

Em suas palavras finais sobre a obra, Celso Unzelte reflete sobre a natureza da saudade: “nós, seres humanos, não temos saudade das coisas – mas, sim, de nós mesmos na época em que elas aconteceram”. A Copa de 82, para muitos, representa mais do que um evento esportivo; é um recorte afetivo de um tempo que, mesmo com o resultado final, continua a inspirar paixão pelo futebol.

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