Lula defende diversificação comercial e assina 8 acordos com Índia para combater protecionismo

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Em visita oficial a Nova Deli, na Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a diversificação e a conectividade comercial como resposta ao crescente protecionismo e unilateralismo global. A declaração foi feita neste sábado (21), após a celebração de oito acordos bilaterais que visam fortalecer as relações econômicas entre Brasil e Índia.

“No mundo de hoje, a conectividade e a diversificação comercial viraram um sinônimo de resiliência diante do recrudescimento do protecionismo e do unilateralismo comercial”, afirmou Lula durante o encerramento do Encontro Empresarial Brasil-Índia. O evento, realizado em Nova Deli, contou com a presença de mais de 300 empresas brasileiras.

Parcerias Estratégicas e Acordos Firmados

Lula classificou o dia como “muito promissor para a Índia e para o Brasil”. Entre os oito acordos fechados, seis são memorandos de entendimento, que formalizam intenções antes de contratos definitivos. Destaque para a cooperação entre os dois países envolvendo terras raras e minerais críticos, considerada estratégica para ambas as nações. Houve também acordos no campo da mineração para a cadeia de suprimentos do aço e de cooperação no campo das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs).

Outros memorandos incluem áreas como vigilância sanitária (Anvisa e CDSCO/DGHS), setor postal, e o uso de certificados eletrônicos de origem. Uma Declaração Conjunta sobre Parceria Digital para o Futuro também foi assinada, além de um acordo de cooperação entre o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e o Conselho de Pesquisa Científica e Industrial da Índia para acesso à Biblioteca Digital de Conhecimento Tradicional.

Multilateralismo e Crescimento Comercial

Ao lado do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, Lula já havia defendido o multilateralismo comercial. “Somos ambos países [Brasil e Índia] mega-diversos e polos da indústria cultural. Somos ambos defensores do multilateralismo e da paz”, ressaltou o presidente brasileiro.

As relações comerciais entre Brasil e Índia demonstraram um crescimento significativo, alcançando US$ 15 bilhões em 2025, o maior valor da série histórica e um aumento de 25,5% em relação ao ano anterior. Apesar do avanço, Lula manifestou que o potencial é ainda maior, lembrando que em 2006, quando a parceria estratégica foi celebrada, o comércio bilateral era de US$ 2,4 bilhões.

Brasil e Índia estabeleceram a meta de alcançar US$ 20 bilhões em comércio até 2030. Para isso, iniciaram negociações para a ampliação do Acordo de Comércio Preferencial Mercosul-Índia, que vigora desde 2009. “Ampliar significativamente o Acordo de Comércio Preferencial Mercosul-Índia é uma prioridade, com vistas a um futuro acordo de livre comércio. Dois mercados tão importantes como o Brasil e a Índia precisam de um arcabouço mais abrangente e mais ambicioso”, acrescentou Lula.

Próximos Passos na Ásia e Reflexos para o Norte de Minas

O presidente Lula embarcou para a Ásia na última terça-feira (17) para esta agenda na Índia e, posteriormente, Coreia do Sul. Esta foi a quarta viagem de Lula à Índia e a segunda de seu atual mandato. Amanhã (22), Lula e sua comitiva presidencial desembarcam em Seul, na Coreia do Sul, a convite do presidente Lee Jae Myung. Será a terceira visita do líder brasileiro ao país, a primeira de Estado, onde será adotado o Plano de Ação Trienal 2026-2029, visando elevar o nível do relacionamento bilateral para uma parceria estratégica.

Reflexos para o Norte de Minas

A diversificação comercial e os acordos em setores como minerais críticos e a cadeia de suprimentos do aço, negociados pelo Brasil, podem ter impactos indiretos no Norte de Minas. A região, conhecida por sua vocação mineral e agrícola, poderá se beneficiar de um cenário global de maior abertura e parcerias. O fortalecimento do comércio exterior brasileiro, com a busca por novos mercados e fornecedores, pode abrir oportunidades para produtos e insumos produzidos na região, estimulando investimentos e a geração de empregos. Empresas locais, especialmente as de pequeno e médio porte, podem explorar novos mercados ou cadeias de suprimentos globais facilitadas por esses acordos, embora os efeitos diretos demandem tempo para se concretizar.

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