Lula se esquiva de criticar Maduro no Mercosul com pretexto de ação militar dos EUA
A cúpula do Mercosul realizada em Foz do Iguaçu, no Paraná, expôs mais uma vez a postura do governo brasileiro em relação ao regime de Nicolás Maduro na Venezuela. Enquanto a maioria dos países-membros e associados clamava pelo “pleno restabelecimento da ordem democrática e do respeito irrestrito aos direitos humanos na Venezuela”, o Brasil, sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, optou por não endossar o comunicado. A justificativa apresentada foi a ausência de críticas à movimentação militar dos Estados Unidos na região.
Divisão no bloco sul-americano
A declaração conjunta, que também denunciava “a persistência de prisões arbitrárias e desaparecimentos forçados” e solicitava a libertação de presos políticos, foi assinada por líderes como Javier Milei (Argentina), Santiago Peña (Paraguai) e José Raúl Mulino (Panamá). Autoridades do Peru e do Equador também apoiaram o texto. No entanto, o Brasil, acompanhado pelo Uruguai e pelo Chile, se absteve. A Venezuela, suspensa do Mercosul desde 2016 por violações da cláusula democrática, continua a ser um ponto de discórdia no bloco.
O pretexto americano para a omissão brasileira
O governo brasileiro utilizou a ação do ex-presidente americano Donald Trump, que iniciou o deslocamento de tropas para o Mar do Caribe sob a alegação de combater o narcotráfico, como argumento para sua recusa. Embora Trump tenha mencionado que os dias de Maduro estavam contados e tenha intensificado a pressão, o texto proposto no Mercosul focava em “meios pacíficos” para a resolução da crise venezuelana. A postura brasileira, segundo analistas, serviu como um escudo para evitar críticas diretas ao regime bolivariano, com o qual Lula mantém laços ideológicos.
Histórico de conivência com ditaduras de esquerda
Não é a primeira vez que o presidente Lula demonstra condescendência com governos de esquerda na América Latina. Em 2023, ele recebeu Nicolás Maduro em Brasília, minimizando as denúncias contra o regime. Após as eleições venezuelanas de 2024, nas quais a oposição apontou fraude, Lula evitou condenar o resultado e questionou a necessidade de apresentação de boletins de urna, mesmo com a oposição apresentando evidências de sua vitória. A participação do Brasil na posse de Maduro, com o envio de sua embaixadora em Caracas, foi interpretada como um reconhecimento tácito do resultado eleitoral. Essa postura, segundo críticos, sacrifica o povo venezuelano em nome da cumplicidade ideológica.
Impacto para o Norte de Minas
Embora a decisão do Mercosul envolva relações diplomáticas e políticas entre nações sul-americanas, a postura do Brasil em relação a regimes autoritários pode ter reflexos indiretos para o Norte de Minas. A estabilidade política e econômica na América do Sul é um fator importante para o desenvolvimento regional, influenciando fluxos comerciais e investimentos. A falta de um posicionamento firme contra a violação de direitos humanos em países vizinhos pode gerar um ambiente de incerteza e afetar a percepção de risco para potenciais investidores na região, impactando a geração de empregos e o crescimento econômico local.