Mestre Ciça, da Viradouro, celebra título do Carnaval do Rio com homenagem viva no Sambódromo

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Mestre Ciça, da Viradouro, celebra título do Carnaval do Rio com homenagem viva no Sambódromo

Com 55 anos de dedicação ao carnaval, o ‘mestre dos mestres’ é tema do enredo campeão da escola de Niterói.

Cariocas e turistas que visitam o Rio de Janeiro se despedem do carnaval neste sábado (21) com o tradicional “desfile das campeãs” do grupo especial, a partir das 21h, no Sambódromo. Entre as escolas que se apresentarão, a Unidos do Viradouro, de Niterói, campeã com pontuação máxima (270 pontos), promete mais uma noite de celebração.

A noite será especialmente marcante para Moacyr da Silva Pinto, conhecido como Mestre Ciça, comandante da bateria da Viradouro. Ele é o protagonista do enredo campeão da escola, intitulado “Prá cima, Ciça”, uma homenagem em vida a um dos maiores nomes do carnaval.

O Mestre dos Mestres

Mestre Ciça, que completará 70 anos em julho, dedicou 55 anos de sua vida ao carnaval. Sua trajetória inclui passagens como passista e ritmista em diversas escolas, culminando no reconhecimento como “mestre dos mestres” por seus colegas de barracão.

À frente da “Furacão Vermelho e Branco”, a bateria da Viradouro, Ciça comanda o que muitos consideram o coração de uma escola de samba. Rodrigo Reduzino, sociólogo e pesquisador do carnaval carioca, explica a relevância da bateria: “Quem faz o andamento, quem imprime ritmo ao enunciado do samba enredo, é a bateria.”

Ciência e Sabedoria no Ritmo

Para Reduzino, a bateria transcende a função de um órgão vital; ela é parte integrante de um corpo, de um sistema complexo. Mestres de bateria como Ciça regem os passos do cortejo, exigindo dons e aprendizados especiais.

“Precisa ter ciência e saber. Não é o saber de universidade. É um saber intelectual ancestral de lidar com esse conjunto, a ponto de direcionar o melhor ritmo e andamento para esse corpo”, detalha o pesquisador. Ele enfatiza que incorporar discernimento, ciência, sabedoria e conhecimento ao apito e à batuta “não acontece de um dia para noite”.

O samba, como cantava Noel Rosa, não se aprende no colégio. As instruções e entendimentos “são passados na oralidade, na vivência, na experiência junto aos seus cotidianamente. E a continuidade da sua ancestralidade que imprime a marca da bateria”, conclui Rodrigo Reduzino.

Reflexos culturais do Carnaval carioca no Norte de Minas

Embora o Carnaval do Rio de Janeiro seja um espetáculo de proporções grandiosas, sua influência cultural irradia por todo o Brasil, alcançando também o Norte de Minas. Muitos moradores da região acompanham de perto os desfiles cariocas, seja presencialmente ou pela mídia, fomentando o interesse por manifestações culturais semelhantes e inspirando grupos e festividades locais. A celebração de uma figura icônica como Mestre Ciça, que representa a tradição e o talento no samba, reforça a importância de mestres e artistas que, em diferentes escalas, também enriquecem as festas e eventos culturais em cidades como Montes Claros e outras comunidades mineiras, valorizando a cultura popular brasileira.

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