A rica tapeçaria cultural do Brasil ganha um novo contorno oficial. Mestras e mestres das culturas tradicionais e populares, guardiões de saberes ancestrais e práticas vivas, foram oficialmente incluídos na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). A iniciativa, liderada pelo Ministério da Cultura, representa um marco no reconhecimento e na valorização dessas figuras essenciais para a identidade nacional.
### Um passo para a dignidade e o direito
A Congada de Uberlândia, em Minas Gerais, é um exemplo vibrante de como esses mestres atuam. Iara Aparecida, mestra da cultura tradicional mineira, celebrou a conquista. “A CBO não é apenas um código, é um passo importante para transformar respeito cultural em direito garantido”, declarou. “Os mestres que estavam invisíveis, mostrando o seu trabalho, agora podendo receber, tendo a previdência social ali e os seus direitos garantidos.”
### Valorização da cultura de raiz
A Secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Márcia Rollemberg, ressaltou que a inclusão faz parte de um projeto mais amplo. “O reconhecimento e a valorização dos mestres e mestras é uma vertente muito importante. Esse trabalho que faz o Brasil ser quem é, o Brasil cultural, o Brasil de raiz, o Brasil popular, o Brasil da periferia, o Brasil inovador, que desenha as nossas identidades”, afirmou Rollemberg.
### O processo de inclusão
O pedido para integrar a categoria na CBO foi formalizado em abril do ano passado pela Diretoria de Promoção das Culturas Tradicionais e Populares. Estudos técnicos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) embasaram a decisão, que também considerou a escuta atenta dos chamados “fazedores de cultura”.
A CBO é uma ferramenta fundamental para organizar e promover o mercado de trabalho, alimentando bases estatísticas e auxiliando na formulação de políticas públicas. A inclusão de novas ocupações passa por um processo rigoroso, com solicitação ao Ministério do Trabalho e Emprego e avaliação por um grupo técnico.
Embora a inclusão na CBO não regulamente a profissão, ela serve como um referencial crucial para o reconhecimento dessas atividades. O Brasil já conta com mais de 2.700 ocupações listadas, e em 2024, 19 novas atividades foram adicionadas, demonstrando um movimento contínuo de atualização.
### Reflexos para o Norte de Minas
A inclusão dos mestres e mestras na CBO ressoa em todo o país, incluindo o Norte de Minas Gerais, uma região rica em manifestações culturais. Iniciativas como a Folia de Reis, o Catopé e outras tradições locais, que são mantidas por mestres e mestras da região, ganham agora um reconhecimento oficial que pode facilitar o acesso a políticas públicas de fomento e proteção cultural. A expectativa é que essa nova classificação fortaleça a identidade cultural do Norte de Minas e abra caminhos para a preservação e disseminação desses saberes para as futuras gerações.