Fontes do Ministério de Minas e Energia (MME) asseguram que o primeiro leilão de armazenamento de energias renováveis está mantido para abril deste ano. A área técnica do órgão trabalha ativamente nos preparativos e na consolidação dos dados da consulta pública, que foi encerrada no mês passado.
Setor elétrico pressiona por avanço e teme entraves regulatórios
Apesar da confirmação do MME, o setor de geração de energia expressa preocupação com possíveis atrasos no cronograma. Entidades do ramo apontam contradições entre o marco regulatório sancionado no ano passado e as regras propostas para o certame, além de um processo burocrático que pode gerar lentidão.
Markus Vlasits, presidente do Conselho da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae), enfatiza a urgência em integrar o armazenamento ao setor elétrico. “Precisamos de um leilão de armazenamento. Ele pode ser de geração, de transmissão, de qualquer forma, mas não temos o luxo de debater mais um ano, um ano e meio, sobre como essa tecnologia se dará no sistema elétrico brasileiro, porque precisamos dela”, alertou o executivo.
Mercado em expansão e expectativas de investimento
A Absae destaca que o mercado de armazenamento de energia já demonstra expansão. Empresas nacionais e multinacionais estão investindo no setor de energias renováveis, reconhecendo o potencial brasileiro. A entidade considera que o arcabouço legal e jurídico está maduro o suficiente para sustentar esse crescimento, sendo a participação do Poder Público o próximo passo fundamental.
Grandes consumidores de energia, como indústrias, centros comerciais, hospitais e o agronegócio, acompanham de perto o desenrolar do leilão. Esses setores podem se tornar importantes compradores de sistemas de armazenamento em baterias, beneficiando diretamente a estabilidade do fornecimento de energia para a população.
Energia solar como impulsionador e o papel do agronegócio
Arnaldo Jardim, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária na Câmara dos Deputados, ressalta a importância estratégica do desenvolvimento de tecnologias de captação de energia fotovoltaica. Ele aponta que essas tecnologias foram cruciais para a expansão de programas sociais e para levar eletricidade a famílias no campo.
“Energia solar hoje corresponde a um percentual de mais de 11% da energia gerada no país e isso criou um clima positivo para que não só programas como o Luz para Todos, mas que a energia através da solar com autonomia sem custos adicionais e que são recuperáveis num prazo curto, pudesse chegar às propriedades”, afirmou o parlamentar.
Detalhes do Leilão de Reserva de Capacidade – Armazenamento
O Leilão de Reserva de Capacidade – Armazenamento (LRCAP) tem como objetivo contratar potência em megawatts (MW) de novos sistemas de armazenamento de energia em baterias (SAE-BESS). Na prática, o certame permitirá que empresas instalem e operem grandes sistemas capazes de armazenar energia elétrica e liberá-la conforme a demanda, fortalecendo a estabilidade e a segurança do fornecimento em todo o país.
Segundo a portaria que rege o leilão, os sistemas deverão realizar a recarga completa em até seis horas, com disponibilidade de potência máxima de quatro horas diárias e capacidade superior a 30 megawatts (MW). O início da operação está previsto para agosto de 2028, com um prazo de dez anos. A expectativa é que o montante contratado alcance 2 GW.
Impactos para o Norte de Minas
A decisão do Ministério de Minas e Energia em manter o leilão de baterias para abril pode trazer reflexos positivos para o Norte de Minas Gerais. A região, com forte vocação para o agronegócio e crescente interesse em energia solar, pode se beneficiar da expansão de tecnologias de armazenamento. A integração de baterias em larga escala pode otimizar o uso da energia solar fotovoltaica, reduzindo custos e aumentando a confiabilidade do fornecimento, especialmente em áreas rurais e propriedades isoladas. Além disso, a atração de investimentos para o setor pode gerar novas oportunidades de emprego e desenvolvimento tecnológico local.