A Mocidade Alegre, escola de samba campeã do Carnaval de São Paulo em 2024, prestou uma vibrante homenagem à lendária atriz Léa Garcia com o enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra!”. O termo “Malunga”, de origem banto, evoca companheirismo e a partilha da jornada da vida, um conceito que ressoa profundamente com a trajetória de Garcia.
O carnavalesco Caio Araújo destacou a merecida homenagem: “Léa Garcia merecia ser campeã com essa homenagem.” A celebração na avenida transcendeu a competição, consagrando a memória de uma artista que foi uma verdadeira “Malunga” na arte e na vida.
Léa Garcia construiu uma carreira histórica no teatro, cinema e televisão, rompendo barreiras e abrindo caminhos para artistas negros no Brasil. Sua presença no desfile foi um ato de exaltação a uma mulher preta retratada como deusa, protagonista e símbolo de resistência e permanência.
Para aprofundar a análise sobre o significado cultural e religioso da homenagem, o programa “Viva Maria” contou com a participação de Claudia Alexandre. Jornalista, escritora, apresentadora de TV, professora e doutora em Ciência da Religião pela PUC-SP, Alexandre é especialista em samba e religiões de matriz africana, oferecendo uma perspectiva rica sobre a importância do enredo e do termo “Malunga”.
O Significado de “Malunga”
O termo “Malunga” tem raízes nas línguas bantas e carrega um profundo sentido de união e cumplicidade entre as pessoas. Na cultura africana, representa a força dos laços que unem indivíduos em suas caminhadas, celebrando a coletividade e o apoio mútuo. A escolha deste termo para o enredo da Mocidade Alegre não foi aleatória, mas sim uma forma de conectar a vida e a obra de Léa Garcia a essa herança ancestral.
Legado de Léa Garcia
A atriz Léa Garcia deixou um legado indelével nas artes brasileiras. Sua carreira, iniciada na década de 1950, foi marcada por atuações memoráveis e pela coragem de enfrentar os desafios impostos pelo racismo na indústria cultural. Ela foi pioneira em diversas frentes, abrindo portas e inspirando gerações de artistas negros a perseguirem seus sonhos.
O desfile da Mocidade Alegre serviu como um palco para relembrar e celebrar a força, a beleza e a resiliência de Léa Garcia, reafirmando sua posição como um ícone da cultura brasileira e um símbolo de empoderamento para a comunidade negra.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora a homenagem tenha ocorrido no Carnaval de São Paulo, o legado de Léa Garcia e a celebração de “Malunga” ressoam em todo o Brasil, incluindo o Norte de Minas. A valorização da ancestralidade africana e a representatividade negra nas artes são temas de extrema importância para a região, que busca fortalecer sua identidade cultural e combater o racismo em suas diversas formas. A trajetória de artistas como Léa Garcia serve como inspiração para que novas vozes negras no Norte de Minas possam ecoar e conquistar seus espaços, promovendo a diversidade e a igualdade.