Nova Geração de Mestres de Bateria Impulsiona Diversidade no Carnaval Carioca, Inspirando Cenários Culturais de Minas Gerais

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Nova Geração de Mestres de Bateria Impulsiona Diversidade no Carnaval Carioca, Inspirando Cenários Culturais de Minas Gerais

O carnaval do Rio de Janeiro testemunhou um marco histórico com a ascensão de uma nova geração de mestres de bateria, que redefine os padrões de diversidade e inclusão. A pioneira Helen Maria da Silva Simão, de 46 anos, quebrou barreiras ao comandar uma bateria de escola de samba e agora celebra o sucesso de Laísa Lima, a primeira mulher a cruzar a Sapucaí como mestra de bateria, no último domingo de carnaval (18).

Helen Maria, em entrevista à Agência Brasil, expressou orgulho por Laísa e a esperança de que mais nomes femininos assumam posições de liderança. “Laísa está de parabéns. Não estamos em uma bateria só para tocar chocalho, temos o conhecimento como um todo. Quanto mais mulheres aparecerem no comando de uma bateria, eu bato palmas, tem que ser assim”, declarou a pioneira, destacando a evolução do papel feminino, que antes se restringia a instrumentos como chocalho e agogô.

Mulheres no Comando da Bateria: Um Legado de Quebra de Paradigmas

Laísa Lima, de apenas 26 anos, mestra da bateria Sensação da Escola de Samba Arranco do Engenho de Dentro (Série Ouro), comandou dezenas de músicos em uma homenagem a Maria Eliza Alves dos Reis, a primeira palhaça mulher negra brasileira. Na avenida, Laísa representou Maria Bonita, enquanto sua bateria simbolizava o xote de Luiz Gonzaga, ritmo usado por Maria Eliza em seus shows.

O sucesso de Laísa, reconhecida como revelação do carnaval de 2026, é um testemunho da nova fase. Helen Maria, que comandou a Unidos do Uraiti entre 2009 e 2010, e hoje atua no Bloco Carnavalesco Novo Horizonte, enfatizou que “a nova geração impulsiona essa diversidade”. Ela recordou os desafios: “Passei por muito machismo, de acharem que o posto de mestra não era lugar de mulher, sofri com homens que, eram meus amigos, mas não me aceitavam, tive que construir um legado por cima disso.”

Representatividade LGBTQIA+ no Samba: Mestre Markinhos em Destaque

Além das mulheres, o carnaval carioca também celebra a ascensão de Mestre Markinhos, de 31 anos, um homem LGBTQIA+. Pelo segundo ano, ele desfilou ao lado do pai, Mestre Marcão, na Escola de Samba Paraíso do Tuiuti, do Grupo Especial. Diretor de chocalho da agremiação, Markinhos cruzou a avenida misturando referências masculinas e femininas em suas indumentárias, incluindo saltos altos.

“A bateria sempre foi um ambiente machista”, afirmou Markinhos. “Sempre tiveram gays e mulheres, mas em um número muito menor”, ressaltou ele, que enfrentou dificuldades por não ter trejeitos masculinos, mas encontrou apoio fundamental no pai e nos ritmistas. Ele também alertou que “no carnaval e no Brasil ainda há muita homofobia e transfobia”.

O Coração da Escola e a Quebra de Paradigmas Sociais

As baterias são consideradas o coração das escolas de samba, conforme explicou a pesquisadora de carnaval e professora de história da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Helena Theodoro. “Os instrumentos marcam a cadência do samba-enredo, os floreios de mestres-salas e porta-bandeiras e as coreografias dos passistas”, detalhou a professora. Historicamente, o cargo de mestre foi majoritariamente masculino.

Theodoro, especialista em cultura afro-brasileira, avalia que a ausência de mulheres no posto reflete a sociedade. “Esse limite começa a ser rompido a partir da década de 1960, quando há uma consciência de que a mulher pode estar em qualquer lugar”, analisou. Laísa, que também é responsável pelos tamborins da Beija-Flor de Nilópolis há dez anos, atribui seu reconhecimento à presidenta da Arranco, Tatiana Santos, e à carnavalesca Annik Salmon, única mulher carnavalesca na Sapucaí em 2026.

Reflexos para o Norte de Minas: Inspiração para a Diversidade Cultural Regional

Embora a efervescência da diversidade no carnaval carioca ocorra no Rio de Janeiro, os avanços na representatividade feminina e LGBTQIA+ em espaços de liderança cultural ecoam por todo o Brasil, incluindo o Norte de Minas. A região, rica em manifestações culturais e festas populares, como seus próprios blocos e escolas de samba locais, pode encontrar inspiração nesses movimentos.

A visibilidade de mestras como Laísa Lima e líderes como Mestre Markinhos reforça a importância de que as tradições culturais, sejam elas no Rio, em Montes Claros ou em outras cidades do Norte de Minas, se abram cada vez mais para a inclusão de diferentes identidades. Promover a diversidade nos palcos e nos bastidores é fundamental para que as expressões artísticas regionais também reflitam a pluralidade da sociedade e inspirem novas gerações de talentos locais, garantindo que o legado cultural seja vibrante e representativo para todos.

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