O último grande tratado de controle de armas nucleares entre Estados Unidos e Rússia, o Novo START, expirou nesta quinta-feira (5), marcando um momento crítico para a paz e segurança internacionais. Firmado inicialmente em 2010, o acordo foi fundamental para a redução de arsenais estratégicos desde a Guerra Fria, limitando cada nação a 1.550 ogivas nucleares implantadas, uma diminuição de quase 30% em relação aos limites anteriores.
A expiração do tratado, que ocorreu à 0h00 GMT (21h de quarta-feira no horário de Brasília), libera formalmente Moscou e Washington de uma série de restrições sobre seus vastos arsenais nucleares. O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, classificou o evento como um “momento sério” e instou ambos os países a retornarem às negociações para estabelecer um novo quadro de controle de armamentos. Guterres alertou que o risco de uso de armas nucleares é o mais alto em décadas, tornando a expiração do tratado particularmente preocupante.
Retrospecto e Proposta Russa
O Novo START não apenas limitava o número de ogivas, mas também permitia inspeções mútuas dos arsenais nucleares, embora estas tenham sido suspensas em 2023. Em setembro de 2025, o presidente russo Vladimir Putin chegou a propor a Donald Trump, então presidente dos EUA, um prolongamento de um ano para os termos do tratado, uma ideia inicialmente vista como positiva pelo lado americano, mas que não avançou.
Reações Internacionais e a Posição Chinesa
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou que, a partir de agora, as partes não estão mais vinculadas a nenhuma obrigação simétrica sob o tratado. Yuri Ushakov, assessor diplomático de Putin, afirmou que a Rússia agirá com prudência e responsabilidade, mas permanece aberta a negociações para garantir a estabilidade estratégica. Em Washington, a cautela prevalece, com o Secretário de Estado mencionando que o presidente Trump se pronunciaria posteriormente, mas ressaltando a necessidade de incluir a China em futuras negociações devido ao rápido crescimento de seu arsenal. Pequim, por sua vez, declarou que, nesta etapa, não participará de negociações de desarmamento nuclear, alegando que suas capacidades são de escala diferente das de EUA e Rússia.
Preocupações com Corrida Armamentista
O Papa Francisco expressou preocupação com uma possível “nova corrida armamentista” e fez um apelo urgente para que um sucessor ao Novo START seja garantido. As capitais europeias, como a França, atribuíram a responsabilidade pelo fracasso do tratado à Rússia e pediram um sistema internacional de controle de armamentos que inclua EUA, Rússia e China. Organizações como a ICAN (Campanha Internacional para a Abolição de Armas Nucleares) e grupos de sobreviventes de bombas atômicas japonesas manifestaram temor de um aumento do risco de guerra nuclear.
Impacto para o Norte de Minas
A expiração do tratado Novo START, embora centrada nas relações entre EUA e Rússia, lança uma sombra de incerteza global que pode ter repercussões indiretas. O aumento da tensão entre as maiores potências nucleares do mundo pode influenciar a estabilidade geopolítica e econômica em escala global. Para o Norte de Minas, isso se traduz na importância de acompanhar de perto os desdobramentos diplomáticos e as possíveis consequências para a segurança e a economia internacional, que afetam diretamente o cenário para investimentos e o desenvolvimento regional.