Onça-Pintada Xingu Nasce no BioParque Vale Amazônia e Reforça Preservação de Espécie Ameaçada no Brasil

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Parauapebas, PA – Uma nova esperança para a conservação da fauna brasileira nasceu no BioParque Vale Amazônia. A onça-pintada Xingu, nascida em dezembro, recebeu seu nome oficial em uma celebração que ressalta a importância da reprodução em cativeiro para espécies ameaçadas de extinção.

Os pais de Xingu, Marília e Zezé, têm uma história que ilustra os desafios da vida selvagem no Brasil. Marília foi resgatada de um cativeiro ilegal, enquanto Zezé nasceu em uma instituição em Goiás, filho de pais também salvos do tráfico de animais silvestres. Devido à sua história de vida sob influência humana, eles não possuem as habilidades necessárias para serem reintroduzidos na natureza, permanecendo sob os cuidados especializados do BioParque.

Estratégia Nacional de Conservação

A chegada de Xingu representa a sétima reprodução de onças no BioParque nos últimos 12 anos. Conforme explicou Rejânia, analista do parque, esta é uma estratégia nacional vital para a preservação da onça-pintada, um dos maiores símbolos da fauna brasileira e que enfrenta sérias ameaças.

“A gente não pega nenhum animal da natureza. Eles vêm através dos órgãos ambientais, de cativeiros ilegais, de apreensões”, detalhou Rejânia, enfatizando o papel do BioParque na recuperação e cuidado desses animais. Por ter nascido em cativeiro, Xingu também não poderá ser adaptado à vida livre, e seu futuro será no próprio parque ou em outro zoológico.

O BioParque e Seus Habitantes

Com 41 anos de existência e mantido pela Vale, o BioParque Vale Amazônia está inserido na Floresta Nacional de Carajás. Ocupando 30 hectares, dos quais 70% são de floresta nativa, o espaço é membro da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB) e colabora com os Planos Nacionais de Conservação de Espécies Ameaçadas do ICMBio.

Atualmente, o parque abriga 360 animais de 70 espécies. Entre eles, destaca-se a macaca-aranha Chicó, que viveu 18 anos acorrentada e sofrendo maus-tratos em um bar no Mato Grosso. Resgatada, Chicó foi reabilitada no BioParque, reaprendendo hábitos primatas essenciais e hoje está totalmente inserida em seu bando. A espécie macaco-aranha também figura na lista de animais ameaçados de extinção do ICMBio.

No ano passado, o BioParque registrou mais de 200 mil visitantes. Além da rica fauna, o público pode apreciar a flora amazônica, incluindo uma castanheira plantada em 1991 pelo então príncipe Charles, hoje Rei Charles, e pela princesa Diana. A entrada é gratuita, e o parque funciona de terça-feira a domingo.

Reflexos para o Norte de Minas

Embora o nascimento de Xingu ocorra no Pará, a iniciativa do BioParque Vale Amazônia ecoa a importância da conservação da biodiversidade em todo o território nacional, incluindo o Norte de Minas Gerais. A onça-pintada, como espécie-chave, enfrenta desafios semelhantes em diversas regiões brasileiras, como o desmatamento, a caça ilegal e o tráfico de animais, que também impactam a fauna mineira.

Os esforços de reprodução em cativeiro, como os realizados com Xingu, servem de modelo e alerta para a necessidade de programas de conservação e educação ambiental em nível regional. A conscientização sobre a proteção de espécies ameaçadas e seus habitats é fundamental para garantir a riqueza natural de biomas como o Cerrado e a Mata Atlântica, presentes no Norte de Minas, e combater práticas que colocam em risco a vida selvagem local.

Para aprofundar-se nos esforços de proteção da vida selvagem na região, leia também: Biodiversidade do Norte de Minas: desafios e ações de proteção e Fiscalização combate tráfico de animais silvestres em Minas Gerais.

Filhote de onça-pintada Xingu com sua mãe no BioParque Vale Amazônia, Parauapebas, PA.
Onça-pintada Marília e Zezé, pais do filhote Xingu, no BioParque Vale Amazônia, Parauapebas, PA.

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