Oposição do DF Pede Impeachment de Ibaneis Rocha Após Citação em Escândalo BRB-Master
A oposição no Distrito Federal formalizou um pedido de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha. A iniciativa ocorre após a citação do chefe do executivo local pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em depoimento à Polícia Federal. As investigações apuram supostas irregularidades em transferências bilionárias entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.
Em sua defesa, Ibaneis Rocha negou envolvimento direto nas negociações, afirmando que “tudo era conduzido” pelo ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, demitido após a deflagração das operações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público (MP). “Em momento algum nas quatro vezes que o encontrei tratei de assuntos relacionados ao BRB–Master. Entrei mudo e saí calado. O único erro meu foi ter confiado demais no Paulo Henrique [Costa]”, declarou o governador.
Acusações e o Papel do Banco Master
Segundo as apurações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, o Banco Master teria vendido ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito que seriam inexistentes. A manobra, conforme as investigações, visava evitar a quebra da instituição privada, que enfrentava grave crise de liquidez. O caso culminou na liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro.
O rombo estimado no BRB, um banco público, alcança R$ 4 bilhões. Conforme noticiado pelos jornais Folha de S.Paulo e Valor Econômico, o Banco Central determinou que o BRB realize um provisionamento de pelo menos R$ 2,6 bilhões para cobrir os potenciais prejuízos. A informação, no entanto, ainda não foi confirmada oficialmente pelo BC.
Depoimento de Vorcaro e as Citações ao Governador
De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal ter conversado “algumas vezes” com Ibaneis Rocha sobre as negociações. Esta informação veio a público após o acesso da publicação ao depoimento prestado pelo banqueiro à PF em 30 de dezembro, por determinação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Situação das Investigações e Próximos Passos
As investigações indicam que, ao longo de 2025, o BRB tentou adquirir uma fatia relevante do Banco Master, uma iniciativa que teria contado com o apoio do governo do Distrito Federal, acionista controlador do banco público, mas que foi barrada pelo Banco Central. Paralelamente, a Polícia Federal apura se o BRB comprou carteiras de crédito de alto risco da instituição privada, avaliando falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança.
Em novembro, uma operação conjunta da PF e do Ministério Público afastou do cargo o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que foi posteriormente demitido. Além das apurações conduzidas por esses órgãos e pelo Banco Central, a nova gestão do BRB e uma auditoria independente também analisam as transações, mas ainda não divulgaram conclusões oficiais sobre o caso.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora a investigação se concentre no Distrito Federal, casos de má gestão e supostas fraudes em bancos públicos, como o BRB, ressaltam a importância da governança e fiscalização rigorosa em instituições financeiras controladas pelo estado. Para o Norte de Minas, a repercussão se manifesta na necessidade de transparência e de mecanismos de controle eficientes em bancos de desenvolvimento e fomento regionais, que são cruciais para o investimento e o crescimento econômico local. A integridade dessas instituições é fundamental para a confiança dos investidores e para a estabilidade de projetos que impactam diretamente a vida dos moradores da região.