Ordem Internacional Pós-Guerra: Crítica de Líder Canadense é Refutada por Jornalistas

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O discurso do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, gerou debate ao sugerir que a ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial teria sido uma grande hipocrisia. Em um cenário global de crescentes tensões e desrespeito à força, a fala do líder canadense, que reconheceu a gravidade do momento e a necessidade de reação das democracias, foi levada a sério. No entanto, a interpretação sobre a natureza da ordem internacional é alvo de críticas.

Carney, ao equiparar a ordem liberal a regimes como o comunismo, incorre em um equívoco conceitual que, segundo analistas, enfraquece a própria defesa dos valores democráticos. A ideia de que a ordem internacional “morreu” é vista como uma concessão prematura à desordem, pois princípios e valores transcendem governos passageiros. A ruptura promovida por figuras como Donald Trump, embora grave, pode ser contingente se houver uma reação firme das demais nações.

A ordem internacional liberal jamais foi isenta de falhas. Grandes potências, ao sentirem seus interesses vitais ameaçados, por vezes violaram normas e tratados, recorrendo à lógica da força. Contudo, essa fragilidade estrutural não invalida a ordem em si, nem a caracteriza como uma “grande mentira”. Ao contrário, reflete a complexidade da política internacional, marcada por fraquezas e contradições inerentes à condição humana. A fidelidade e o zelo pelos princípios da ordem são, portanto, imprescindíveis.

Os princípios estabelecidos não visam garantir obediência automática, mas sim criar constrangimentos morais. Por décadas, mesmo as potências que os violaram sentiram a necessidade de justificar suas ações, demonstrando a força normativa da ordem. A erosão desse constrangimento moral, observada em líderes contemporâneos, não prova a inutilidade dos princípios, mas torna urgente uma reação clara e sem tergiversações para reafirmá-los.

A cooperação entre países comprometidos com o direito internacional, a paz e a previsibilidade institucional não é apenas uma questão moral, mas uma exigência estratégica. O desenvolvimento ocidental no pós-guerra foi sustentado por uma convicção moral compartilhada na superioridade dos valores democráticos, do Estado de Direito e da contenção do uso arbitrário da força. Esses valores moldaram instituições e criaram um senso de responsabilidade coletiva essencial para o progresso.

É compreensível o ceticismo de alguns em relação à democracia liberal e à ordem internacional, associando-as a crises morais e relativismo. Contudo, essa leitura inverte a causalidade. O relativismo moral é uma corrosão cultural prévia, que mina tanto a democracia quanto as instituições internacionais por dentro.

Declarar a morte da ordem internacional é conceder vitória à desordem. Líderes vêm e vão, mas princípios permanecem. A ruptura atual, dependendo da ação dos demais líderes, pode ser passageira. O que não pode ser transitório é a convicção de que a força não cria direito, a paz exige normas e a cooperação internacional é um sinal de civilização.

Defender essa ordem exigirá mais do que discursos. Será necessário preparo militar, inteligência estratégica, coordenação política e disposição para suportar custos econômicos e diplomáticos. A civilidade entre nações nunca foi confortável, mas a recusa em capitular diante da força pode levar à reconstrução de uma normalidade pragmática e moralmente fundada. A alternativa a essa defesa não é o realismo, mas a barbárie com verniz estratégico.

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