A discussão sobre a melhoria da saúde pública no Brasil frequentemente se depara com um aparente dilema: aumentar os gastos ou aceitar a precariedade dos serviços. Contudo, o estado do Paraná tem demonstrado um terceiro caminho, focado na eficiência administrativa. Uma pesquisa da Genial/Quaest realizada em 2025 apontou o Paraná como líder nacional em satisfação da população com os serviços de saúde, alcançando 47% de aprovação, superando economias como Minas Gerais (35%) e São Paulo (32%).
Um dado relevante é que, entre os quatro estados mais bem avaliados, o Paraná destinou o menor percentual de seu orçamento para a saúde – 12,24% da receita líquida, ligeiramente acima do piso constitucional de 12%. Isso evidencia uma gestão que prioriza a satisfação do usuário, a organização da rede de atendimento e o uso racional dos recursos públicos.
O Sistema Único de Saúde (SUS) é reconhecido como um dos maiores sistemas públicos globais, e sua capilaridade e papel constitucional são inegáveis. No entanto, a necessidade de aprimoramento é constante.

Na prática, um dos desafios históricos do SUS tem sido a concentração de serviços de alta complexidade em capitais e grandes centros regionais. Esse modelo gera o chamado “turismo de ambulância”, onde pacientes do interior percorrem longas distâncias para exames e procedimentos que poderiam ser realizados mais perto de suas casas. Tal cenário sobrecarrega os hospitais de referência, aumenta as filas e impõe custos sociais e emocionais às famílias, que precisam se deslocar e se ausentar de suas rotinas.
A estratégia adotada pelo governo do Paraná, sob a liderança de Ratinho Junior, buscou reverter essa lógica por meio da regionalização. Priorizando parcerias com prefeituras, secretarias e consórcios regionais, o estado coordenou a oferta de serviços de saúde. O programa Opera Paraná é um exemplo notável, com a reorganização das cirurgias eletivas. Em quatro anos, o número de procedimentos saltou de cerca de 330 mil para 786 mil anuais, o que equivale a quase 2,2 mil cirurgias realizadas diariamente.
Regionalização e Ampliação do Acesso Cirúrgico
Essa expansão foi viabilizada pelo financiamento e contratação de cirurgias em hospitais regionais, filantrópicos e municipais, integrando a rede e distribuindo a capacidade de atendimento. A abordagem foi ampliar o acesso onde há demanda e estrutura instalada, em contrapartida à saturação dos grandes centros. Devolver autonomia e qualidade de vida a quem aguarda por cirurgias há meses ou anos é um dos impactos mais significativos desta política.
Investimento em Infraestrutura e Descentralização
O mesmo princípio norteia a expansão de leitos e a construção de novos hospitais no interior. O Paraná investiu R$ 751 milhões em 90 obras hospitalares, com foco em serviços de média e alta complexidade. Foram entregues 12 novos hospitais em cidades do interior e na região metropolitana, com outros oito planejados para 2026. Além disso, o estado implementou o Pronto Atendimento Municipal (PAM), um modelo pioneiro para descentralizar o acesso à saúde. As novas unidades seguem um padrão unificado, com capacidade para 2,1 mil atendimentos diários em urgência e emergência 24 horas, integrados ao cuidado pré-hospitalar. Estão previstos 52 novos PAMs, com dois já entregues em 2025.
O Método Paraná para a Gestão Pública
O SUS é um sistema de saúde de relevância mundial, mas sua eficiência pode ser aprimorada. O desafio para a saúde pública é incorporar uma gestão baseada em dados e resultados. O Paraná oferece um método que consiste em regionalizar, integrar serviços, medir produtividade e tomar decisões de financiamento com base em informações concretas. Essa experiência demonstra a possibilidade de oferecer mais e melhores serviços de saúde com responsabilidade e respeito ao dinheiro público.
Beto Preto, Secretário de Estado da Saúde do Paraná, ressalta a importância dessa abordagem para o futuro do sistema público de saúde.
Fonte: Conteúdo adaptado de matéria jornalística, com informações de pesquisa Genial/Quaest (2025) e dados do Governo do Paraná.
Reportagem: Redação Portal Minas Noticias
Edição: Jocelaine Santos
Reflexos para o Norte de Minas
Embora a experiência exitosa em gestão da saúde pública tenha ocorrido no Paraná, o modelo de regionalização e eficiência administrativa pode servir de inspiração para outros estados brasileiros, incluindo Minas Gerais. A busca por otimizar recursos, descentralizar o atendimento e melhorar a satisfação do paciente são desafios comuns em todo o país. Para o Norte de Minas, a adoção de práticas semelhantes poderia significar a ampliação do acesso a serviços de média e alta complexidade no interior, reduzindo a necessidade de deslocamentos para grandes centros e fortalecendo a rede de saúde local. A integração entre municípios e o uso de dados para direcionar investimentos são estratégias que podem ser replicadas para beneficiar a população de Montes Claros e região.