A jornada da Seleção Brasileira rumo ao tetracampeonato mundial em 1994, nos Estados Unidos, foi marcada por intensas críticas e momentos de apreensão, tanto para jogadores quanto para a comissão técnica. Um dos episódios menos conhecidos revela que o então técnico Carlos Alberto Parreira chegou a cogitar a sua saída do comando da equipe logo após a sofrida classificação para a Copa do Mundo.
Pressão nas Eliminatórias e a volta de Romário
Em 1993, durante as Eliminatórias, a equipe brasileira enfrentou forte pressão, especialmente após a derrota para a Bolívia em La Paz. A situação se agravou no jogo decisivo contra o Uruguai, no Maracanã. Para essa partida, Parreira e o então coordenador técnico Zagallo tiveram que ceder às pressões e convocar Romário, que estava afastado da seleção desde o final de 1992. A notícia da convocação do atacante, que na época defendia o Barcelona, estampou jornais como a Folha de S.Paulo em 8 de setembro de 1993, com o título “Parreira convoca hoje Romário”. O treinador justificou a decisão pela falta de ritmo de outros atacantes, como Evair e Valdeir, e afirmou que a convocação de Romário era uma possibilidade concreta.
Vitória e a Confissão de Parreira
No dia 19 de setembro de 1993, o Maracanã testemunhou uma atuação de gala. Com um público de mais de cem mil torcedores, o Brasil venceu o Uruguai por 2 a 0, com dois gols de Romário, garantindo a vaga na Copa. A escalação contava com Taffarel; Jorginho, Ricardo Rocha, Ricardo Gomes e Branco; Mauro Silva, Dunga, Raí e Zinho; Bebeto e Romário. Após a partida, em meio à euforia pela classificação, Parreira desabafou para os jornalistas, admitindo a possibilidade de deixar o cargo. “Se eu considerar só a razão, tenho de continuar, mas as pressões foram muitas, o desgaste, enorme, e não sei se devo passar por isso outra vez”, declarou o treinador, que via naquela partida o auge da equipe.
Continuidade Garantida
Apesar do momento de dúvida de Parreira, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirmou sua permanência como técnico para a Copa do Mundo de 1994. A decisão foi tomada mesmo diante das cobranças de parte da torcida e da mídia por uma mudança no comando técnico. A Seleção Brasileira, que viria a conquistar o tetracampeonato, provou que a resiliência e a capacidade de superar adversidades foram cruciais para o sucesso.
Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.