Pedreiro de Juiz de Fora cobra moradia digna e ações preventivas após deslizamento que matou mais de 20 pessoas

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Em Juiz de Fora, o pedreiro Danilo Fartes, de 40 anos, vive momentos de angústia e incerteza. A casa onde reside com a família, no Parque Jardim Burnier, fica perigosamente próxima ao local de um devastador deslizamento de terra ocorrido na última segunda-feira (23), que ceifou a vida de mais de 20 pessoas. O medo de perder o imóvel, resultado de décadas de trabalho e economia, consome a tranquilidade da família.

“Minha esposa, minhas irmãs, meus vizinhos estão sem dormir. Todo mundo achando que vai cair de novo”, relata Danilo, expressando o temor generalizado na comunidade. Para ele, a casa representa não apenas um teto, mas a concretização de um sonho construído com muito suor. “É o único lugar que a gente tem, foi conquistado com muito suor. Não temos recursos para sair e ir para outra região. É o que temos, não queremos morar na rua”, desabafa o pedreiro, cuja história ecoa a de muitos trabalhadores brasileiros.

Críticas à Falta de Prevenção

Danilo Fartes não poupa críticas à ausência de ações preventivas e estruturais na área. Segundo o morador, intervenções de contenção são realizadas apenas após as tragédias, e de forma pontual. “Eles esperam muitas das vezes acontecer para depois fazer. Não tem trabalho preventivo. As poucas obras de contenção que têm aqui perto ocorreram só depois que os problemas aconteceram e de forma pontual”, aponta.

O pedreiro também relembrou os momentos de desespero e solidariedade da comunidade. Moradores iniciaram os resgates antes mesmo da chegada das equipes oficiais, enfrentando riscos como choques elétricos e enxurradas. “A população desesperada veio ajudando, tirando com a unha, na mão mesmo, na raça”, descreve. Em um dos episódios mais dolorosos, Danilo ajudou a retirar vítimas e tentou socorrer uma criança de 3 anos. “Fiz massagem, joguei para dentro do carro e desci morro abaixo. Mas infelizmente não conseguimos ajudar. Ele não resistiu”, conta, com a voz embargada.

Comunidade Unida na Adversidade

Nascido e criado na comunidade de Jardim Burnier, Danilo Fartes se mantém ativo e engajado, buscando manter a esperança entre os sobreviventes. Ele tem participado da organização do trânsito, da remoção de escombros e da distribuição de alimentos. “A gente vai ajudando do jeito que pode. Não tem muito o que fazer agora”, afirma, demonstrando resiliência.

Reflexos para o Norte de Minas

A situação vivida em Juiz de Fora, com moradias em áreas de risco e a urgência por ações preventivas, ressoa em diversas cidades de Minas Gerais, incluindo o Norte do estado. Em Montes Claros e outros municípios da região, a ocupação de encostas e áreas de vulnerabilidade social e geológica também representa um desafio constante para as autoridades e um risco para a população. A falta de planejamento urbano adequado e a escassez de moradias dignas em locais seguros são questões que necessitam de atenção contínua e investimentos em infraestrutura e prevenção de desastres em todo o estado, incluindo o Norte de Minas, que frequentemente enfrenta períodos de chuvas intensas.

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