Três sócios de uma academia localizada na zona leste de São Paulo foram indiciados pela polícia por homicídio com dolo eventual. A investigação apura as circunstâncias em que sete alunos passaram mal após utilizarem a piscina do estabelecimento no último sábado. Uma das vítimas não resistiu e faleceu, enquanto outras quatro permanecem internadas em estado grave.
O delegado responsável pelo caso solicitou a prisão temporária dos proprietários da academia. O objetivo é assegurar que a investigação prossiga sem interferências de pessoas envolvidas. No domingo, peritos ainda constataram um forte odor de produto químico no local, indicando a presença de substâncias perigosas.
Investigação aponta negligência grave no tratamento da piscina
As apurações iniciais apontam que a mistura utilizada no tratamento da piscina continha uma quantidade excessiva de cloro. Segundo as autoridades, a dosagem, que seria suficiente para uma semana, era aplicada em apenas um dia. O produto não foi diretamente jogado na água, mas os alunos que estavam na piscina inalaram os gases tóxicos liberados.
Em depoimento, o manobrista da academia, responsável pela preparação do produto, relatou que a negligência no tratamento da piscina era uma prática recorrente. Ele afirmou não possuir preparo técnico para a função e que seguia orientações telefônicas de um dos sócios para a mistura. A aplicação era feita pelo professor após a última aula.
Acusados responderão por homicídio com dolo eventual
Os três sócios foram indiciados pelo crime de homicídio com dolo eventual. Esta modalidade penal ocorre quando o indivíduo assume o risco de produzir um resultado que não pretendia inicialmente. O manobrista, por sua vez, não deverá responder criminalmente, segundo a avaliação inicial do delegado Alexandre Bento.
A morte de Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, e a intoxicação de outras seis pessoas foram atribuídas ao uso desproporcional de cloro. Entre os intoxicados está o marido de Juliana, que segue internado em estado delicado. O delegado Alexandre Bento enfatizou que os donos da academia agiram com descaso deliberado, motivados por ganância.
A polícia aguarda os resultados de exames químicos da água e do produto utilizado. Os investigadores destacam que os responsáveis pela academia não se colocaram à disposição das vítimas, que relataram não ter sido procuradas pelos donos do estabelecimento.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora o incidente tenha ocorrido em São Paulo, a notícia serve como um alerta para estabelecimentos similares em Montes Claros e em todo o Norte de Minas Gerais. A fiscalização de piscinas e a segurança em academias são fundamentais para prevenir acidentes graves. Órgãos de vigilância sanitária e defesa do consumidor na região podem reforçar a importância de práticas seguras no tratamento de piscinas e na manipulação de produtos químicos, garantindo a saúde e a segurança dos frequentadores.