A Polícia Militar de São Paulo publicou nesta quinta-feira (2) no Diário Oficial do Estado a portaria que atende o pedido de transferência para a reserva do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. Ele é indiciado pelo feminicídio da soldado Gisele Alves Santana e por fraude processual no caso.
O oficial está preso preventivamente desde 18 de março. A transferência para a reserva equivale a uma aposentadoria, com o militar mantendo o salário próximo ao que recebia na ativa. A decisão gerou estranhamento e revolta.
### Críticas à agilidade da transferência
O advogado da família da vítima, José Miguel da Silva Júnior, expressou surpresa com a rapidez com que o pedido de reserva foi processado e publicado. “Temos notícias que entraram com esse pedido em menos de uma semana e hoje foi publicado no Diário Oficial. Aonde nós temos notícias, inclusive de oficiais que precisam entrar na justiça doentes para conseguir esse benefício. Os praças então levam mais de 60 dias. E depois vêm a público dizer que corta na carne, que não admite a conduta incompatível, sendo que estão dando privilégios”, declarou.
A defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, em nota, afirmou que a medida é uma decisão particular do cliente, após ter cumprido sua missão. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a aposentadoria não interrompe o processo administrativo, que pode culminar na demissão e perda de posto e patente.
### Revolta dos pais da vítima
O pai e a mãe da soldado Gisele Alves Santana, José Simonal Teles e Marinalva Vieira Alves de Santana, manifestaram indignação em um vídeo divulgado nas redes sociais. “Você acha justo a população do Estado de São Paulo pagar um salário para um monstro desse? Covarde, que matou sua mulher, colega de farda, porque disse ‘não’ para ele? Para aposentar ele foi rápido; para minha filha, sobrou o caixão e o luto para a família”, desabafaram.
### Relembre o caso
A soldado Gisele Alves Santana foi encontrada morta em sua residência em 18 de fevereiro, com um tiro na cabeça. A versão inicial do tenente-coronel de que teria sido suicídio foi descartada. Indícios apontaram para forja da cena do crime, e laudos do Instituto Médico Legal revelaram marcas de agressão na vítima, fortalecendo a hipótese de feminicídio.
### Reflexos para o Norte de Minas
Embora o caso tenha ocorrido em São Paulo, a agilidade na transferência para a reserva de oficiais em situações de investigação criminal levanta questionamentos sobre os procedimentos internos das corporações militares. No Norte de Minas, a Polícia Militar atua diretamente na segurança pública, e a transparência e celeridade em casos de condutas incompatíveis são fundamentais para a confiança da população nas instituições.
Categorias:
Policia
Cidades
Tags:
Polícia Militar de São Paulo, feminicídio, tenente-coronel, soldado Gisele Alves Santana, Geraldo Leite Rosa Neto, reserva militar, inquérito policial, São Paulo, segurança pública, violência contra mulher