O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), divulgado pelo Banco Central nesta quinta-feira (19), indicou uma retração de 0,2% na economia brasileira em dezembro de 2025, quando comparado a novembro. Apesar da queda mensal, o indicador fechou o ano com um crescimento acumulado de 2,5%.
O resultado de dezembro representa uma desaceleração em relação ao ano anterior, 2024, quando a economia registrou alta de 3,7%. Contudo, o desempenho em dezembro superou as expectativas de parte do mercado financeiro. Pesquisa da agência Reuters apontava para uma contração de 0,5% no mês.
Setores em Destaque
Em dezembro, os setores que impulsionaram a atividade econômica foram o Agropecuário, com crescimento de 2,3%, e a Indústria, que avançou 0,3%. Por outro lado, o setor de Serviços apresentou uma queda de 0,3%. Esses dados consideram ajustes sazonais para comparar períodos com características específicas.
Ao desconsiderar o desempenho do agronegócio, o IBC-Br registrou um recuo de 0,3% no mês. Na análise trimestral, o período finalizado em dezembro apresentou uma alta de 0,4% em comparação com o trimestre anterior (encerrado em setembro de 2025).
Projeções e Contexto Econômico
O resultado oficial do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025 será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 3 de março. A estimativa do Ministério da Fazenda projeta um crescimento de 2,2% para o indicador ao longo do ano.
A desaceleração observada já era antecipada por economistas e pelo governo federal. O principal fator para essa expectativa é a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados, a 15% ao ano, decidida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em janeiro. Essa taxa é a mais alta em quase duas décadas.
O Banco Central justifica a resistência em reduzir os juros como uma medida para conter a inflação no país. No entanto, o último comunicado do Copom sinalizou a possibilidade de início de cortes na Selic já na reunião de março, caso o cenário inflacionário se mostre favorável à contenção.
Segundo a autoridade monetária, os futuros cortes na Selic serão definidos a cada reunião, com foco na “calibragem” do cenário inflacionário e da política monetária. As projeções do mercado indicam que a Selic pode terminar o ano em uma média entre 13,5% e 14% ao ano.
Os dados foram compilados com informações do Banco Central e da agência de notícias Reuters.