Região do Cerrado Mineiro Lança Movimento Regenerativo e Amplia Papel da Origem no Café Global
Parceria com Sebrae Minas consolida nova estratégia para combinar produtividade, sustentabilidade e desenvolvimento territorial em 55 municípios.
A Região do Cerrado Mineiro, composta por 4.500 produtores distribuídos em 55 municípios do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas Gerais, acaba de lançar um movimento regenerativo que redefine o papel da origem no mercado global de café. A iniciativa, desenvolvida em parceria com o Sebrae Minas, visa consolidar uma diretriz de longo prazo, onde a regeneração transcende a prática agrícola e passa a orientar decisões produtivas, comerciais e institucionais.
Com uma produção anual de cerca de 6 milhões de sacas, representando 12,7% da produção brasileira e exportações para mais de 30 países, a região busca agora um novo patamar de reconhecimento. “Não se trata apenas de uma nova marca. Estamos estruturando um movimento em que a origem assume responsabilidade sobre o próprio futuro, combinando produtividade, regeneração ambiental e desenvolvimento econômico”, afirmou Gláucio de Castro, presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado Mineiro.
Pioneirismo e o Papel do Sebrae Minas
O Cerrado Mineiro já era pioneiro em Minas Gerais, sendo a primeira região a conquistar a Denominação de Origem (DO) ligada à cafeicultura em 2013, um marco que elevou o reconhecimento da qualidade e identidade de seus cafés. “Agora, vivemos um momento histórico, com o novo posicionamento de marca que amplia o pensamento e as práticas regenerativas para além da agricultura, com o objetivo de agregar ainda mais valor à região”, ressaltou Marcelo de Souza e Silva, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas.
Desde a década de 1990, o Sebrae Minas tem sido um parceiro fundamental, atuando no fortalecimento da cafeicultura por meio de programas de capacitação, consultorias gerenciais do programa Educampo, incentivo à inovação e promoção de acesso a mercados nacionais e internacionais. A instituição também apoia anualmente o Prêmio da Região do Cerrado Mineiro e a Rota do Café do Cerrado, em parceria com a Secretaria de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG), consolidando o turismo de negócios.
Da Certificação à Estratégia Regenerativa
A trajetória de organização coletiva do café brasileiro no Cerrado Mineiro é notável. A região criou o selo Café do Cerrado em 1995, obteve Indicação de Procedência em 2005 e a Denominação de Origem em 2013. Mais recentemente, consolidou sua liderança em práticas regenerativas, com quase 40 mil hectares certificados em agricultura regenerativa, a maior área do país nesse modelo, e a primeira fazenda de café do mundo a receber certificação regenerativa internacional em 2022.
Com o novo posicionamento, a regeneração deixa de ser uma prática isolada para integrar a estratégia institucional. “A origem sempre foi associada à qualidade e rastreabilidade. Agora queremos que ela seja reconhecida também como modelo de desenvolvimento territorial. A proposta é sair da lógica de extrair valor do território e avançar para a lógica de regenerar valor de forma contínua”, explicou Juliano Tarabal, diretor executivo da Federação. Marcos Alves, gerente da Regional Noroeste e Alto Paranaíba do Sebrae, destacou que o movimento amplia oportunidades comerciais e fortalece a economia regional.
Origem como Plataforma para o Futuro
A nova estratégia expande o conceito de origem. Além do controle geográfico, qualidade e rastreabilidade, a Denominação de Origem passa a funcionar como uma plataforma de integração entre produção, inovação tecnológica, pesquisa aplicada, cooperativismo e formação de novas gerações. Isso inclui a ampliação da área regenerativa certificada, o fortalecimento da rastreabilidade da DO, o estímulo à sucessão produtiva e a formação de novos talentos. “O café é o produto, mas o ecossistema é o que sustenta o futuro”, completou Gláucio de Castro.
Ampliação da Projeção Global
Com exportações já consolidadas em mais de 30 países, a região busca agora intensificar sua inserção em mercados que valorizam origens rastreáveis e com compromisso ambiental estruturado. O reposicionamento abre portas para parcerias com centros de pesquisa, investidores e empresas interessadas em cadeias produtivas de impacto positivo. “Nosso propósito é sermos referência para outras cadeias do agro brasileiro que buscam diferenciação em um cenário global cada vez mais exigente”, concluiu Juliano Tarabal.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora a Região do Cerrado Mineiro esteja localizada no Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas Gerais, o modelo de organização coletiva e a estratégia de valorização da origem e da regeneração oferecem um importante precedente para o Norte de Minas. A experiência de sucesso na construção de uma Denominação de Origem e a integração de práticas sustentáveis podem inspirar produtores e associações da nossa região a buscar diferenciação e agregar valor a seus próprios produtos, fortalecendo a economia local e promovendo um desenvolvimento mais sustentável, especialmente em cadeias produtivas com potencial de exportação.
Sobre a Região do Cerrado Mineiro:
Primeira Denominação de Origem (DO) para café reconhecida no Brasil, a Região do Cerrado Mineiro abrange 55 municípios, cerca de 250 mil hectares cultivados (100 mil irrigados), e responde por aproximadamente 6 milhões de sacas por safra, o equivalente a 25,4% da produção mineira e 12,7% da produção nacional. A região reúne 4.500 produtores certificados e é referência global em rastreabilidade, governança e sustentabilidade.