O mais recente Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta quinta-feira (26), acende um alerta para o aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Goiás, Sergipe e Rondônia. Os dados, referentes à Semana Epidemiológica 7 (15 a 21 de fevereiro), indicam que o crescimento das internações está diretamente ligado à circulação de rinovírus e do vírus sincicial respiratório (VSR).
Em Rondônia, a situação é agravada pela circulação do VSR e pela elevação das hospitalizações por influenza A, afetando especialmente jovens e adultos. A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, destacou que o estudo também identificou indícios de manutenção no aumento de hospitalizações por influenza A no Pará e Ceará, e por rinovírus em São Paulo e no Distrito Federal, embora ainda sem impacto significativo nos casos gerais de SRAG.
Alerta na Região Norte e Capitais
Na Região Norte, Acre, Amazonas e Roraima permanecem em estado de alerta para SRAG devido à alta nos casos de influenza A. Embora a tendência de crescimento sustentado a longo prazo não seja evidente, a circulação viral exige atenção. O VSR, por sua vez, exibe comportamentos divergentes na região: enquanto os registros caem no Amazonas, eles seguem em alta no Acre e em Roraima.
Entre as capitais, Boa Vista (RR) e Porto Velho (RO) registram níveis de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com tendência de crescimento a longo prazo. A maioria dos casos nessas cidades concentra-se em crianças pequenas. Em Manaus (AM) e Rio Branco (AC), a incidência de SRAG permanece em patamar de alerta, risco ou alto risco, mas sem sinais de crescimento sustentado.
Perfil dos Vírus e Mortalidade
Ao longo do ano epidemiológico de 2026, foram notificados mais de 8,2 mil casos de SRAG no país, com 31,2% apresentando resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório. As últimas quatro semanas epidemiológicas revelam que o rinovírus é o agente mais detectado entre os casos positivos, seguido pela COVID-19 e pela influenza A.
No que diz respeito aos óbitos, a COVID-19 é responsável por metade das mortes registradas, com a influenza A e o rinovírus aparecendo em seguida. A análise das últimas oito semanas epidemiológicas aponta que a incidência e a mortalidade por SRAG continuam mais elevadas nas faixas etárias extremas: crianças pequenas concentram os casos, enquanto os idosos apresentam os maiores índices de mortalidade.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora o boletim não detalhe a situação específica do Norte de Minas Gerais, o aumento da circulação de vírus respiratórios em estados vizinhos e na Região Norte serve como um indicativo de que a vigilância epidemiológica deve ser intensificada em Montes Claros e em toda a região. A atenção deve se voltar para a prevenção, especialmente em escolas e creches, e para a orientação da população sobre medidas de higiene e a importância da vacinação contra a influenza. A alta incidência em crianças pequenas reforça a necessidade de cuidados redobrados com os pequenos, e o risco para idosos demanda atenção especial das famílias e dos serviços de saúde.