Rio de Janeiro Inicia Vacinação Contra a Dengue Priorizando Profissionais de Saúde com Nova Dose do Butantan

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Rio de Janeiro Inicia Vacinação Contra a Dengue Priorizando Profissionais de Saúde com Nova Dose do Butantan

Estado fluminense recebe mais de 33 mil doses do imunizante de dose única, destinadas a trabalhadores da Atenção Primária à Saúde em 92 municípios, incluindo a capital.

A vacinação contra a dengue teve início nesta segunda-feira (23) no estado do Rio de Janeiro, com a distribuição da nova vacina produzida pelo Instituto Butantan. A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) recebeu 33.364 doses do imunizante, das quais 12.500 são para a capital. Esta primeira etapa, conforme orientação do Ministério da Saúde, foca na imunização de trabalhadores da Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS).

Entre os profissionais contemplados estão médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, odontólogos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, assistentes sociais, farmacêuticos, agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, além de trabalhadores administrativos e de apoio que atuam diretamente nas unidades básicas.

Detalhes da Nova Vacina e Cenário Epidemiológico

A nova vacina do Butantan é de dose única e oferece proteção contra os quatro sorotipos da dengue. No estado do Rio, os tipos 1 e 2 são os mais prevalentes. Contudo, as autoridades sanitárias expressam preocupação com a possível reintrodução do sorotipo 3, que não circula no território fluminense desde 2007. A ausência prolongada desse sorotipo pode tornar a população mais vulnerável, especialmente considerando sua presença em estados vizinhos.

Dados do Centro de Inteligência em Saúde da SES-RJ indicam que, até 20 de fevereiro deste ano, o estado registrou 1.198 casos prováveis de dengue e 56 internações, sem confirmação de óbitos. No mesmo período, foram contabilizados 41 casos prováveis de chikungunya, com cinco internações, e nenhum caso confirmado de zika. O monitoramento é feito em tempo real pela plataforma MonitoraRJ, e atualmente todos os 92 municípios estão em situação de rotina.

Alerta Pós-Carnaval e Medidas de Prevenção

Apesar dos indicadores considerados baixos, a secretaria estadual reforça o alerta para o período pós-carnaval. As chuvas intensas que precederam a folia, aliadas ao calor do verão, criam um ambiente ideal para a proliferação do Aedes aegypti, mosquito vetor da dengue, chikungunya e zika. A circulação de turistas também aumenta o risco de introdução de novos sorotipos virais.

A recomendação é que cada morador dedique ao menos dez minutos por semana para eliminar possíveis focos do mosquito. Isso inclui verificar a vedação de caixas d’água, limpar calhas, colocar areia nos pratos de plantas e descartar água acumulada em recipientes. No verão, a combinação de calor e chuva acelera o ciclo reprodutivo do mosquito, fazendo com que os ovos eclodam rapidamente.

Estratégias de Saúde Pública e Reflexos para o Norte de Minas

Além da nova vacina, o Ministério da Saúde já disponibiliza a vacina Qdenga, de fabricação japonesa, desde 2023. No Rio de Janeiro, mais de 758 mil doses de Qdenga foram aplicadas, com 360 mil crianças e adolescentes de 10 a 14 anos recebendo a primeira dose e 244 mil completando o esquema vacinal.

A SES-RJ também investe na qualificação da rede assistencial, com videoaulas e treinamentos, e desenvolveu uma ferramenta digital pioneira para uniformizar o manejo clínico da dengue nas unidades de saúde, tecnologia compartilhada com outros estados. O Laboratório Central Noel Nutels (Lacen-RJ) foi estruturado para realizar até 40 mil exames por mês, ampliando a capacidade de diagnóstico de dengue, zika, chikungunya e até da febre do Oropouche.

Reflexos para o Norte de Minas

Embora a vacinação inicial contra a dengue com o imunizante do Butantan esteja focada no Rio de Janeiro, a iniciativa representa um avanço significativo para a saúde pública nacional. Para o Norte de Minas, onde a dengue também é uma preocupação constante, a experiência fluminense pode servir de modelo para futuras expansões da campanha. A luta contra o Aedes aegypti e a necessidade de medidas preventivas são desafios comuns a todo o Brasil, e as estratégias de vigilância e manejo clínico desenvolvidas no Rio podem inspirar ações em Montes Claros e cidades vizinhas. A chegada de novas vacinas e aprimoramento das ferramentas de combate à arbovirose são benéficas para todos os estados na busca por controle da doença.

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