O governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), deu o pontapé inicial para a elaboração do Plano Estadual de Mineração 2050 (PEM 2050). Este documento estratégico tem como objetivo nortear o desenvolvimento da atividade minerária no estado até 2050.
A execução dos trabalhos técnicos ficará a cargo de consultores e professores da Universidade de São Paulo (USP), através da Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE). Com uma vasta experiência em projetos técnicos para o setor público, a equipe terá 15 meses para coletar dados, realizar diagnósticos e propor diretrizes que impulsionem o crescimento sustentável da mineração paulista.
Estrutura e Objetivos do PEM 2050
O PEM 2050 será organizado em seis cadernos temáticos. Eles abordarão o panorama da mineração no estado, a caracterização dos setores produtivos, a relevância econômica da atividade em São Paulo, a geração de empregos, as práticas de sustentabilidade e a recuperação de áreas mineradas. “O plano vai tratar dos desafios da atividade nas dimensões socioambiental e econômica e apresentará diretrizes alinhadas às políticas ambientais e de desenvolvimento sustentável do Estado, traçando cenários futuros para o setor”, explicou Marisa Maia, subsecretária de Energia e Mineração da Semil.
Além dos estudos técnicos, o processo incluirá workshops e uma consulta pública. A meta é garantir transparência e a participação da sociedade na construção do planejamento. “O objetivo é construir um planejamento de longo prazo que concilie o aproveitamento responsável dos recursos minerais com a proteção ambiental, a organização do território e o desenvolvimento econômico regional, assegurando que a mineração continue contribuindo para a geração de riqueza e o crescimento de São Paulo”, afirmou Marisa Barros.
Mineração Paulista: Destaques e Potencial
Atualmente, a mineração em São Paulo concentra-se na produção de insumos básicos para a construção civil, mas representa um importante vetor socioeconômico. O estado é responsável por 70% da produção nacional de areia industrial, 50% da areia comum, 30% da brita e 16% da argila. Um estudo do Comitê da Cadeia Produtiva da Mineração (Comin), da Fiesp, aponta que São Paulo possui 3.443 empreendimentos minerários ativos, que em 2024 produziram mais de 130 milhões de toneladas de minérios e geraram mais de 13 mil empregos diretos.
O estado também se destaca na produção de água mineral. Em 2024, foram produzidos 6,4 bilhões de litros, liderando o ranking nacional com 27% da produção brasileira. Essa liderança é impulsionada por uma infraestrutura consolidada, um mercado consumidor expressivo e o desenvolvimento industrial. Atualmente, são 336 empreendimentos produtores, sendo 90% de pequeno e micro porte, espalhados por cerca de 100 municípios.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora este plano estratégico se refira ao estado de São Paulo, o desenvolvimento e a inovação no setor de mineração em uma das maiores economias do país podem gerar aprendizados e novas tecnologias aplicáveis a outras regiões. O Norte de Minas Gerais, com seu vasto potencial mineral, pode se beneficiar da troca de experiências e da adoção de boas práticas em sustentabilidade e gestão territorial. A busca por um aproveitamento responsável dos recursos minerais, alinhado às políticas ambientais, é um modelo que pode inspirar o desenvolvimento econômico regional de forma duradoura.