Para quem acorda antes do sol nascer para trabalhar, a segurança pública transcende discussões teóricas. É uma necessidade básica de dignidade. Trata-se de chegar ao ponto de ônibus sem ser assaltado, de não ter o celular roubado na rua, de não viver sob o constante medo na porta de casa. Os chamados ‘pequenos crimes’, na prática, são os que mais impactam a vida da população brasileira.
O Brasil, historicamente, cometeu o erro de subestimar a violência do dia a dia. O debate público se dividiu entre focar exclusivamente em grandes organizações criminosas, ignorando o sofrimento diário do cidadão comum, ou relativizar crimes banais como se fossem toleráveis. Nenhuma dessas abordagens atende às necessidades de quem trabalha, estuda e depende do espaço público para viver.
Políticas de Segurança Eficazes
Cuidar da segurança cotidiana é um exercício de autoridade responsável. Significa governar com olhar atento àqueles que produzem, sustentam suas famílias e contribuem para o estado. Roubos de celular, assaltos rápidos, furtos e ameaças, embora não derrubem governos, desestruturam a rotina de quem move o país. A falha do Estado em conter essa violência envia uma mensagem clara de desproteção ao cidadão.
No Amazonas, a decisão foi clara: tratar o crime cotidiano com a mesma seriedade dedicada a outras ameaças à ordem pública. Os resultados são mensuráveis. Os roubos de celulares caíram cerca de 32% em todo o estado em 2025, com reduções ainda mais notáveis em Manaus. Em setembro de 2025, o número de ocorrências desse tipo foi 60% menor em comparação ao pico de 2021. Roubos a pedestres recuaram consistentemente, e assaltos a ônibus, que afetam diretamente os trabalhadores, diminuíram quase 50% em janeiro deste ano, o menor índice desde 2019.
Estratégia e Resultados
Esses números não são fruto do acaso, mas sim de uma política de segurança que deixou de ser genérica para se tornar estratégica. Programas como o RecuperaFone, que já devolveu mais de 7,5 mil aparelhos e levou à prisão de criminosos envolvidos em roubo e receptação, atacam diretamente o incentivo econômico do crime comum. Quando a receptação se torna menos fácil e lucrativa, o roubo tende a diminuir. É uma lógica simples e eficaz.
A segurança pública eficaz não se constrói com espetáculos ou discursos inflamados. Ela se edifica com presença constante do Estado, respostas rápidas, coordenação entre as forças de segurança, uso intensivo de inteligência e foco territorial. Atinge-se com policiamento orientado por dados, aplicação de tecnologia e decisões baseadas em evidências, longe do improviso.
Isso não significa negligenciar o combate ao crime organizado ou ao narcotráfico internacional, que permanecem prioridades estratégicas. Contudo, governar exige a hierarquização de problemas. Para a maioria da população, o medo não emana de rotas internacionais distantes, mas sim do assalto na esquina, do furto recorrente e da violência previsível que se repete diariamente nos mesmos locais.
O Futuro da Segurança
O futuro da segurança pública passa pela consolidação deste modelo: mais inteligência, mais tecnologia, maior integração e menor tolerância ao crime cotidiano. Inclui também melhorias na iluminação pública, ordenamento urbano, ocupação qualificada do espaço público e ações que tragam previsibilidade à vida das pessoas. A segurança deve ser uma entrega diária.
O crime comum não é um detalhe, é uma prioridade. Cuidar da segurança do dia a dia é exercer autoridade com responsabilidade. É governar olhando para quem trabalha, produz e sustenta seu lar e o Estado brasileiro, conforme ressalta Tadeu de Souza, vice-governador do Amazonas.
Fonte: Gazeta do Povo
Por: Redação Portal Minas Noticias