Sessão Solene na Câmara dos Deputados em Brasília Cobra Mais Inclusão para Pessoas com Síndrome de Down, com Olhar para Minas Gerais
Parlamentares e ativistas defendem políticas públicas contra a solidão e por autonomia, impactando diretamente jovens e famílias no Norte de Minas.
Brasília sediou, nesta sexta-feira (20 de março de 2026), uma sessão solene na Câmara dos Deputados em homenagem ao Dia Internacional da Síndrome de Down. O evento, que teve como lema “Amizade, acolhimento e inclusão: Xô solidão”, reforçou a urgência de ampliar a inclusão e combater a solidão de pessoas com deficiência, um debate de extrema relevância para cidades como Montes Claros e toda a região do Norte de Minas.
A deputada Erika Kokay (PT-DF), responsável pelo requerimento da sessão, destacou que a verdadeira democracia se manifesta no reconhecimento da diversidade. “A inclusão começa quando convivemos, compartilhamos e respeitamos nossas diferenças. Precisamos de uma sociedade acessível do ponto de vista emocional, atitudinal e arquitetônico”, afirmou a parlamentar.
Combate à Solidão e Acesso à Educação
O combate à solidão foi o eixo central da discussão. Cleonice Bonda de Lima, presidenta da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, explicou que a falta de convívio social é uma das maiores barreiras. “Transformamos o lema da ONU em ‘Xô solidão’ porque o acolhimento e a inclusão evitam o afastamento dos espaços de convivência”, declarou.
Apesar de 92% das pessoas com deficiência estudarem em classes regulares, a falta de recursos e tecnologia assistiva nas escolas ainda é um desafio. Michel Platini, ativista do Centro de Direitos Humanos, criticou a ausência de monitores nas escolas do Distrito Federal, um problema que se replica em diversas redes de ensino pelo Brasil, incluindo municípios mineiros.
“Sem monitor e sem apoio comunitário, a inclusão não será efetiva. Ao negar esse apoio, o Estado compromete o futuro dessas pessoas”, pontuou Platini, ressaltando a importância de um suporte adequado para estudantes com autismo ou síndrome de Down.
Protagonismo e Oportunidades
A sessão foi marcada pela forte presença e protagonismo de pessoas com síndrome de Down, que ocuparam a mesa principal do plenário, dando voz às suas próprias experiências.
Matheus Humberto, de 20 anos, compartilhou sua jornada escolar. “Estudei em escola regular e não foi fácil, mas não desisti. Pessoas com síndrome de Down não querem apenas carinho. Querem oportunidades”, disse o jovem, enfatizando a necessidade de espaços para o desenvolvimento pessoal e profissional.
Gustavo Façanha, formado em eventos, reforçou que limitações são parte da condição humana. “O que falta muitas vezes é oportunidade e políticas públicas que nos apoiem”, completou.
Esporte, Cultura e Superação do Capacitismo
O esporte foi apresentado como uma poderosa ferramenta de socialização. A equipe de futsal Down do Distrito Federal, recém-campeã de um torneio interestadual, foi homenageada. Fernando Tocantins, o capitão Dinho, celebrou o trabalho dos professores e a dedicação do time.
No campo cultural, Janaína Parente, presidenta do Instituto Apsdown, convidou a todos para o Festdown, um evento inclusivo agendado para o sábado (21) na Biblioteca Nacional, em Brasília. Janaína também criticou abertamente atitudes capacitistas. “Muitas vezes a sociedade nega espaços. Precisamos superar a visão que trata a diversidade como peso”, defendeu.
Reflexos e Desafios para Montes Claros e o Norte de Minas
Embora a sessão tenha ocorrido em Brasília, as discussões sobre inclusão e combate à solidão reverberam diretamente em Montes Claros e no Norte de Minas. A demanda por políticas públicas eficazes, tecnologia assistiva e a presença de monitores em escolas é uma realidade também para as famílias da região.
Associações locais e órgãos municipais e estaduais precisam se alinhar a esses debates para garantir que os direitos e oportunidades de pessoas com síndrome de Down sejam efetivados. O fortalecimento de programas de esporte e cultura inclusivos, a exemplo do futsal Down, e a promoção de eventos que combatam o capacitismo são essenciais para transformar a realidade da comunidade mineira, assegurando autonomia e plena convivência social.