O setor mineral brasileiro se prepara para um período de expansão significativa, com projeções indicando investimentos totais de US$ 76,9 bilhões entre 2026 e 2030. A estimativa, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), representa um aumento de 12,5% em comparação com o período anterior (2025-2029), que previa US$ 68,4 bilhões.
Minério de Ferro e Projetos Socioambientais Lideram Investimentos
O segmento de minério de ferro se mantém na vanguarda das intenções de investimento, com US$ 19,8 bilhões planejados, um crescimento modesto de 1,1%. Contudo, a maior expansão percentual foi observada nos investimentos em Projetos Socioambientais, que receberão US$ 14,7 bilhões, um aumento expressivo de 29,7%. Essa valorização reflete a crescente importância das práticas sustentáveis e da responsabilidade social na indústria mineral.
Crescimento em Minerais Estratégicos e Logística
Outros setores que demandarão vultosos investimentos incluem Logística, com US$ 11,3 bilhões (+3,4%), e minerais com forte apelo estratégico para o futuro. Cobre (US$ 8,6 bilhões, +18%), Fertilizantes (US$ 6,88 bilhões, +23,3%), Níquel (US$ 4,7 bilhões, +24,2%), Terras Raras (US$ 2,4 bilhões, +10,4%), Lítio (US$ 1,17 bilhão, +7,1%) e Titânio (US$ 900 milhões, +7,1%) demonstram o foco em materiais essenciais para a transição energética e o desenvolvimento tecnológico.
Os investimentos em projetos de minerais críticos e estratégicos, em particular, tiveram um salto de 15,2%, passando de US$ 18,5 bilhões para US$ 21,3 bilhões. O IBRAM também apontou investimentos significativos em Ouro (US$ 2,4 bilhões, +14,7%), Bauxita (US$ 1,2 bilhão, -5,4%) e Zinco (US$ 382 milhões, com um impressionante aumento de 981,9%).
Produção Mineral e Impacto Econômico
Em 2025, a produção mineral brasileira registrou um crescimento de 10,3%, totalizando R$ 298,8 bilhões. O minério de ferro liderou o faturamento, respondendo por R$ 157,2 bilhões, mesmo com a queda nos preços. Minas Gerais, Pará e Bahia foram os estados com maior arrecadação no setor.
Fernando Azevedo, vice-presidente do IBRAM, destacou o desempenho econômico robusto do setor, sua forte inserção no comércio exterior e a ampliação do ciclo de investimentos. Ele ressaltou que o cenário geopolítico global tem intensificado o interesse por minerais críticos, essenciais para planos de desenvolvimento em áreas como energia limpa e tecnologia.
As exportações minerais atingiram aproximadamente US$ 46 bilhões em 2025, com um volume de 431 milhões de toneladas, um aumento de 7,1%. O saldo da balança comercial mineral foi de US$ 37,6 bilhões, representando 55% do saldo total da balança comercial brasileira. A arrecadação de tributos e encargos pelo setor somou R$ 103 bilhões, com a CFEM contribuindo com R$ 7,9 bilhões.
Mercado de Trabalho e Perspectivas Futuras
O setor mineral gerou 229.312 empregos diretos em novembro de 2025 (excluindo petróleo e gás), com a criação de 8.330 novas vagas formais entre janeiro e novembro. A expectativa é que os investimentos contínuos impulsionem ainda mais a geração de empregos e o desenvolvimento econômico em diversas regiões do país.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora os dados apresentados pelo IBRAM sejam de abrangência nacional, o foco em minerais estratégicos como cobre, lítio e terras raras pode gerar novas oportunidades de exploração e desenvolvimento para o Norte de Minas Gerais. A região possui potencial geológico para diversos minerais, e o aumento dos investimentos em logística e projetos socioambientais pode facilitar a viabilização de novos empreendimentos, gerando empregos e impulsionando a economia local. O crescimento do setor de fertilizantes também é de interesse para a região, que tem forte vocação agrícola.