A economia brasileira, frequentemente criticada por sua forte dependência do setor primário, esconde um papel estratégico fundamental não apenas para o país, mas para o equilíbrio econômico mundial. A agricultura, pecuária, pesca e o extrativismo vegetal e mineral, que compõem o chamado setor primário, são os verdadeiros motores da geração de nova riqueza, permitindo que economias capitalistas prosperem.
Em um sistema capitalista, onde o lucro é o principal motor da atividade privada, a capacidade de todos os agentes econômicos – empresas e trabalhadores – obterem ganhos depende de um fator essencial: a disponibilidade de recursos naturais. É a exploração desses recursos que cria a riqueza nova, permitindo que, em uma contabilidade global, o saldo geral seja positivo. Sem a extração de riquezas da natureza, qualquer lucro obtido por um indivíduo ou empresa necessariamente implicaria um prejuízo equivalente para outro, resultando em um balanço zero e um ambiente social de alta tensão.
Nesse contexto, o Brasil se destaca. Posicionado entre as maiores potências mundiais no setor primário, o país tem uma capacidade singular de gerar riqueza nova. A discrepância entre seu potencial e seu PIB global sugere que boa parte dessa riqueza gerada internamente é exportada, em vez de ser reinvestida e transformada em valor agregado através do desenvolvimento dos setores secundário (indústria) e terciário (serviços).
O bacharel em Direito Pedro Augusto de Almeida Mosqueira, em análise sobre a importância estratégica do setor primário, ressalta que o desenvolvimento industrial e de serviços é desejável, mas não deve ocorrer em detrimento da força do campo. “Se temos um setor primário forte e a riqueza não está sendo mantida aqui, devemos desenvolver, sim, o setor secundário e o terciário. Mas não podemos deixar de reconhecer a importância do setor primário brasileiro para nossa economia e para o mundo”, afirma Mosqueira.
A perda de força do setor primário brasileiro teria, portanto, um impacto global. Não apenas o Brasil se empobreceria, mas o mundo inteiro sofreria as consequências da redução na geração de nova riqueza. A sugestão é que o país valorize e incentive seu setor primário, ao mesmo tempo em que busca reter e processar essa riqueza internamente, promovendo o crescimento dos demais setores econômicos.
Um alerta adicional surge em relação às restrições ambientais. O especialista aponta que um excesso de regulamentação, sem o devido planejamento, pode enfraquecer o setor primário brasileiro, gerando um ciclo de empobrecimento que se estenderia para além das fronteiras nacionais. A busca por um equilíbrio entre preservação ambiental e desenvolvimento econômico é crucial para garantir a prosperidade sustentável do Brasil e do planeta.