Setor Produtivo Brasileiro Lança Manifesto Contra Redução de Jornada sem Ganho de Produtividade

PUBLICIDADE

Mais de 100 instituições do setor produtivo brasileiro divulgaram, nesta terça-feira (3), um manifesto conjunto em defesa da modernização da jornada de trabalho no país. O documento, endossado por representantes da indústria, agronegócio, transportes, comércio e serviços, expressa preocupação com projetos em tramitação que propõem a redução da jornada de trabalho e mudanças na escala sem a devida consideração pelos impactos na produtividade e competitividade das empresas.

As entidades signatárias defendem que o debate sobre a jornada de trabalho seja pautado por quatro princípios centrais: a necessidade de um diálogo técnico aprofundado, a preservação do emprego formal, a valorização da negociação coletiva e a garantia de que qualquer alteração esteja atrelada a ganhos reais de produtividade. A posição reforça que, embora a busca por bem-estar dos trabalhadores e o dinamismo econômico sejam objetivos legítimos, mudanças abruptas podem levar à precarização das relações de trabalho.

Desafios para a Indústria e a Necessidade de Qualificação

O manifesto destaca um cenário desafiador para o setor industrial, que, segundo o Mapa do Trabalho Industrial 2025–2027 da Confederação Nacional da Indústria (CNI), precisará qualificar cerca de 14 milhões de pessoas entre 2025 e 2027 para suprir a demanda por mão de obra. Ricardo Alban, presidente da CNI e um dos signatários do documento, apela para que propostas como a PEC 148/2015, que tramita no Senado, não sejam votadas às pressas, especialmente em ano eleitoral.

“A história recente contemporânea da relação capital-trabalho sempre foi feita de uma transição entre a melhoria das condições de trabalho e a redução de uma possível jornada de forma gradativa e com muito entendimento, sempre através de negociações. Nós queremos fazer isso. Mas tem que ser de forma sustentável. Nós precisamos aumentar a produtividade. Ninguém tem dúvidas de que produtividade é que determina as melhores condições de trabalho”, declarou Alban.

Experiências Internacionais e Riscos de Mudanças Sem Produtividade

O documento também faz referência a experiências internacionais onde a diminuição das horas trabalhadas foi acompanhada por aumentos consistentes na produtividade. Segundo as entidades, quando a produção por hora avança, torna-se viável reduzir a carga horária sem afetar a renda dos trabalhadores ou pressionar os preços. Por outro lado, alterações na jornada de trabalho realizadas sem um correlato ganho de produtividade podem acarretar aumento de custos operacionais, retração na contratação formal e repasse desses custos para o consumidor final.

Para o setor produtivo, o caminho para uma jornada de trabalho mais moderna e sustentável passa pela aceleração da qualificação profissional, ampliação de oportunidades de desenvolvimento e estímulo à adoção de tecnologias e inovações que impulsionem a produtividade.

Fonte: Brasil 61

Reflexos para o Norte de Minas

Embora o manifesto tenha sido divulgado em âmbito nacional, as discussões sobre a jornada de trabalho e seus impactos na produtividade reverberam diretamente na economia do Norte de Minas. Setores como o agronegócio e o comércio local, que empregam milhares de trabalhadores na região, dependem diretamente da eficiência operacional. A busca por qualificação profissional e a adoção de novas tecnologias, pontos centrais do manifesto, são estratégias cruciais para que empresas de Montes Claros e de outras cidades do Norte de Minas possam manter sua competitividade e garantir a sustentabilidade dos empregos diante de possíveis mudanças na legislação trabalhista.

Mais recentes

PUBLICIDADE

Rolar para cima