O fim do Carnaval, que anualmente celebra a cultura e a alegria brasileira, muitas vezes deixa para trás um rastro de resíduos. No entanto, o projeto Sustenta Carnaval surge como uma solução inovadora para mitigar o impacto ambiental e social gerado pelos desfiles das escolas de samba no Sambódromo do Rio de Janeiro. A iniciativa transforma as exuberantes, porém efêmeras, fantasias em novas oportunidades, promovendo a economia circular e a equidade social.
Mariana Pinho, fundadora do Sustenta Carnaval, explica que o projeto busca dar continuidade aos enredos abordados pelas agremiações, que frequentemente tratam de questões como preconceito de cor, raça e gênero. “O ambiental, ele é como se fosse o fechamento do ciclo desse enredo”, afirma Pinho. A reutilização das fantasias não apenas reduz o desperdício têxtil, mas também gera receita e emprego para as comunidades envolvidas no movimento do samba.
Experiências que Tocam a Alma
O galpão do Sustenta Carnaval, localizado na Pequena África, um reduto histórico e cultural na zona portuária do Rio de Janeiro, atrai um público diversificado. Por lá, circulam amantes da arte, da moda e, especialmente, do Carnaval. “Em um extremo a gente tem pessoas que são da arte, que são principalmente do mundo do Carnaval, que chegam ali e começam a chorar — que aquilo tudo ia estar no lixo”, relata Mariana Pinho. A experiência, descrita como “quase fora do corpo”, permite que esses visitantes mergulhem na história e no potencial de cada peça.
Impacto Concreto e Parcerias Estratégicas
Desde sua criação em 2022, o Sustenta Carnaval tem demonstrado resultados expressivos. Em seu primeiro ano, o projeto recolheu três toneladas de resíduos de fantasias. No ano seguinte, uma parceria firmada com a Rio Carnaval e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) ampliou significativamente o alcance da iniciativa. Atualmente, mais de 23 toneladas de material têxtil são coletadas anualmente da Sapucaí.
O material coletado é encaminhado para um galpão na Gamboa, na rua Pedro Ernesto, que funciona de quarta a sábado. A escolha da Pequena África para sediar as atividades reforça o compromisso do projeto com a preservação da memória e da cultura negra, intrinsecamente ligadas à história do samba carioca.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora o Sustenta Carnaval opere no Rio de Janeiro, a iniciativa serve de inspiração para outras regiões do Brasil, incluindo o Norte de Minas. A valorização da economia criativa e a busca por soluções sustentáveis para o descarte de materiais em grandes eventos podem ecoar em iniciativas locais. A possibilidade de adaptar modelos como este para festas populares e eventos regionais mineiros pode gerar novas fontes de renda e empregos, além de reforçar a consciência ambiental entre os moradores.