O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), retoma suas atividades nesta segunda-feira (12) após um período de férias nos Estados Unidos. O retorno marca o início do último ano de seu mandato, um período crucial para definir os próximos passos de sua carreira política, com foco na possibilidade de reeleição e em meio a um cenário de articulações e potenciais conflitos, especialmente com o partido Progressistas (PP).
Decisões estratégicas para 2026
Até o início de abril, Tarcísio de Freitas enfrenta algumas decisões importantes. Uma delas é a definição do cargo que almejará nas eleições deste ano. Embora não tenha declarado publicamente o desejo de concorrer à Presidência da República, ele foi considerado um forte nome para a disputa em 2026. No entanto, o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) alterou o cenário. Internamente, a orientação é de cautela: Tarcísio mantém a candidatura presidencial como plano B, mas prioriza os assuntos do Estado. A estratégia é aguardar até março para uma definição mais clara sobre a disputa nacional, avaliando que sua posição no governo paulista lhe confere uma base sólida para uma possível reeleição ao governo estadual, caso a corrida presidencial não se concretize.
Reformulações no secretariado
Outra frente de decisões importantes, com prazo até o início de abril – data limite estabelecida pelo Tribunal Superior Eleitoral para que ocupantes de cargos no Executivo deixem suas posições caso desejem disputar eleições –, envolve a composição do secretariado. Já ocorreram três trocas em pastas como Segurança Pública, Políticas para Mulheres e Agricultura. A expectativa é que outras três mudanças sejam realizadas, com destaque para a Secretaria de Relações Institucionais. Gilberto Kassab (PSD), atual titular da pasta, deixará o cargo para focar na disputa eleitoral. Embora Tarcísio já tenha um nome para substituí-lo, os detalhes ainda estão sendo acertados. Kassab, presidente nacional do PSD, é uma figura influente nas articulações políticas e manifestou interesse em concorrer ao governo de São Paulo, inclusive se colocando à disposição para apoiar Tarcísio.
Tensão com o PP e apoio do União Brasil
O retorno de Tarcísio de Freitas também é marcado por atritos com a cúpula do Progressistas (PP). O partido ameaçou lançar um candidato próprio ao governo estadual, mesmo que Tarcísio concorra à reeleição, citando insatisfação de prefeitos com a gestão. Em contrapartida, o União Brasil, que está em processo de federação com o PP, reafirmou seu apoio ao governador paulista. As conversas entre os partidos devem se intensificar nas próximas semanas.
Projetos em andamento e entregas previstas
Na gestão estadual, Tarcísio de Freitas tem obras e projetos importantes para tirar do papel. Há expectativa para a assinatura do contrato de concessão do túnel Santos-Guarujá, com a empresa Mota-Engil solicitando prorrogação de prazo para o acordo, previsto para ser assinado até o fim de janeiro. O leilão de concessão do Novo Centro Administrativo de São Paulo está agendado para 26 de fevereiro, após três adiamentos. Além disso, a inauguração das Linhas 6–Laranja e 17–Ouro do Metrô é aguardada. A Linha 17 deve iniciar operações no primeiro semestre, ligando o Aeroporto de Congonhas à Estação Morumbi. Já a Linha 6 prevê a entrega do trecho entre Brasilândia e Perdizes no segundo semestre de 2026, com o restante da linha para 2027. Na área de segurança pública, o governo planeja inaugurar 60 novas salas de Delegacias de Defesa da Mulher e formar mais de 2.500 novos policiais.
Reflexos para o Norte de Minas
Embora a notícia se concentre na política do estado de São Paulo, as articulações e decisões tomadas pelo governador Tarcísio de Freitas podem ter reflexos indiretos. A dinâmica política nacional, especialmente em relação a possíveis candidaturas presidenciais, influencia o cenário eleitoral em todo o país. Mudanças na composição de partidos e alianças podem reverberar em outros estados, afetando o equilíbrio de forças políticas e as discussões sobre projetos de interesse regional. No Norte de Minas, a estabilidade política em estados-chave como São Paulo é observada como um fator que pode influenciar a atenção do governo federal a demandas locais, como investimentos em infraestrutura e segurança pública, áreas que frequentemente demandam apoio estadual e federal.